O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre um pedido de prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro. O despacho, datado de 18 de março, foi assinado antes do julgamento no Supremo sobre a aceitação ou não da denúncia contra Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, mas o conteúdo do documento só veio a público recentemente. O pedido de prisão tem como base a garantia da ordem pública e a instrução processual.
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O caso em questão surgiu a partir de uma notícia-crime apresentada pela vereadora Liana Cristina, do PT de Recife, e por Victor Fialho, aliado da ex-deputada federal Marília Arraes, do Solidariedade de Pernambuco. De acordo com os autores, Bolsonaro teria utilizado suas redes sociais e declarações públicas nos dias 9, 10 e 14 de março deste ano para convocar seus apoiadores a participarem de uma mobilização em defesa da anistia de indivíduos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, referindo-se a essas pessoas como “reféns do 8/jan”. Para a vereadora e o aliado político, tal postura de Bolsonaro configuraria crimes de obstrução de justiça, incitação de crimes contra instituições democráticas e coação no curso do processo.

Em seu despacho, Moraes concedeu um prazo de cinco dias para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestar-se sobre o pedido de prisão preventiva. Entretanto, até o momento, o parecer não foi apresentado, e fontes da PGR negam que o pedido tenha chegado à procuradoria. A solicitação de parecer da PGR é um procedimento comum quando há um pedido de prisão preventiva, conforme explicou o próprio despacho de Moraes.
Durante a quarta-feira (2), Bolsonaro se manifestou publicamente sobre a situação em um podcast, afirmando que a possível decisão sobre sua prisão preventiva cercearia seu direito à manifestação. “Com essa possível proposta de prisão que o Alexandre Moraes despachou para a PGR, o senhor Gonet, para decidir se me dá uma preventiva ou não, porque eu estaria atrapalhando o julgamento dessas pessoas que participaram, outras nem tanto, do 8 de janeiro. Esses possíveis impedimentos acontecem em ditadura”, declarou Bolsonaro, sugerindo que a medida contra ele seria uma tentativa de cercear sua liberdade de expressão.
Além disso, a decisão de Moraes sobre o pedido de prisão preventiva de Bolsonaro ocorre em um contexto de outras medidas recentes do ministro. Nos últimos dias, Moraes concedeu prisão domiciliar à Débora Rodrigues dos Santos, mulher que escreveu a frase “perdeu mané” na Estátua da Justiça, localizada na Praça dos Três Poderes, durante os ataques de 8 de janeiro. Entre sexta-feira e segunda-feira, o ministro também concedeu prisão domiciliar a outras cinco pessoas que estavam envolvidas nos eventos. Antes disso, Moraes havia liberado da prisão apenas uma pessoa, em um gesto que gerou repercussão nas últimas semanas.
O processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e a possível prisão preventiva permanece um tema central no cenário político e jurídico brasileiro. O desfecho do pedido de prisão dependerá das decisões da PGR e da análise do STF, que continuam sendo acompanhadas com atenção pela opinião pública e pelos observadores políticos.