LUCAS DO RIO VERDE

Grávida perde gêmeas após ser impedida de sair do trabalho em frigorífico de Lucas; Justiça condena multinacional que já acumula denúncias de abusos contra funcionários

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Uma das maiores multinacionais do setor de aves e alimentos da América Latina foi condenada a pagar R$ 150 mil em indenização por danos morais a uma funcionária que perdeu suas filhas gêmeas dentro da unidade localizada em Lucas do Rio Verde, após ser impedida de sair para buscar atendimento médico mesmo em trabalho de parto.

 

O caso aconteceu em abril de 2024, mas só agora veio à tona com a publicação da sentença pela 2ª Vara do Trabalho da cidade. Além da indenização, a empresa foi obrigada a pagar todas as verbas rescisórias devidas à funcionária, como aviso prévio, 13º salário, férias proporcionais, FGTS com multa de 40% e liberação do seguro-desemprego. A decisão foi assinada pelo juiz Fernando Galisteu.

O drama vivido pela trabalhadora

A vítima é uma mulher negra, de 32 anos, natural da Venezuela. Ela atuava na linha de produção desde 2023 e estava no oitavo mês de gestação de gêmeas. Durante o expediente da madrugada, por volta das 3h40, começou a sentir fortes contrações, tontura, vômito e falta de ar. Ao procurar ajuda, foi impedida pela liderança de deixar o posto, sob o argumento de que a linha de produção não poderia parar.

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Sem suporte médico, a funcionária tentou sair por conta própria horas depois. Enquanto esperava um ônibus na frente do frigorífico, a bolsa estourou. O parto aconteceu ali mesmo, nas dependências da empresa. A primeira bebê nasceu por volta das 6h30 e não resistiu. Minutos depois, a segunda também faleceu.

 

Câmeras de segurança registraram toda a cena, desmentindo a versão apresentada pela empresa, que alegou que o parto teria ocorrido fora da unidade. O juiz considerou a conduta da empresa omissa, negligente e desumana.

Empresa acumula denúncias trabalhistas

Além do episódio trágico, a multinacional enfrenta uma série de reclamações trabalhistas em diversas unidades do Brasil. As denúncias mais recorrentes envolvem baixa remuneração, jornadas exaustivas, pressão psicológica e condições precárias de trabalho.

 

Funcionários relatam que a produção é cobrada de forma intensa, muitas vezes ignorando o bem-estar físico e mental dos colaboradores. No caso de Lucas do Rio Verde, a negligência foi tamanha que a empresa chegou a demitir a funcionária por “abandono de emprego”, mesmo após a perda dos filhos e o trauma vivido. A Justiça reconheceu que a própria conduta da empresa inviabilizou o retorno ao trabalho e classificou a demissão como abuso patronal.

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Justiça reconhece falha grave

O juiz Fernando Galisteu afirmou que não é razoável imaginar que uma mulher grávida de gêmeos, debilitada, se recusaria a ir ao setor médico se tivesse recebido a devida orientação e acolhimento. Ele destacou ainda que o protocolo de emergência da empresa não foi acionado, como confirmaram os próprios profissionais de saúde do local.

 

A decisão é clara: a empresa falhou gravemente em oferecer condições mínimas de dignidade e segurança, e por isso deve arcar com os danos causados.

 

A multinacional ainda pode recorrer da decisão, mas o caso já expõe, mais uma vez, o ambiente de trabalho desumano que muitos enfrentam em frigoríficos pelo país.

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