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Pai que perdeu 3 filhas e esposa quer ser deputado e nega explorar tragédia em MT
Ele afirma que decisão foi motivada por atuação em pautas de proteção à infância e nega uso político da tragédia
O viúvo Regivaldo Cardoso, pai das três meninas assassinadas juntamente com a esposa em um dos crimes mais chocantes da história recente de Mato Grosso, confirmou que é pré-candidato a deputado federal pelo Partido Novo. Em entrevista concedida à Rádio Cultura FM, ele negou estar se aproveitando da tragédia familiar para se autopromover politicamente.
O crime ocorreu na madrugada entre os dias 24 e 25 de novembro de 2023, em Sorriso, a cerca de 420 km de Cuiabá. Na ocasião, Gilberto Rodrigues dos Anjos invadiu a residência da família, estuprou e assassinou Cleici Calvi Cardoso, de 46 anos, e as filhas Miliane, de 19 anos, Manuela, de 12, e Melissa Gabriela, de 10 anos. Os corpos foram encontrados apenas dois dias depois, em 27 de novembro, com sinais de extrema violência. O criminoso confessou os atos e foi condenado a 225 anos de prisão, em julgamento realizado em agosto de 2025.
Segundo Regivaldo, a ideia de ingressar na política surgiu após sua participação em audiências públicas e debates em Brasília, durante a tramitação da lei que criou o Cadastro Nacional de Pedófilos e Predadores Sexuais, que recebeu o nome de Lei Cleici Cardoso. O projeto é de autoria da senadora Margareth Buzetti (PP-MT) e foi sancionado em 2024.
“Eu recebo muitas críticas dizendo que estou me aproveitando da minha família. Quero deixar bem claro que eu não estou. Eu nunca quis isso. O que eu mais queria era ter força para voltar a trabalhar como caminhoneiro, e eu não tenho mais”, declarou Regivaldo durante a entrevista.
Ele contou ainda que, após a tragédia, não conseguiu retomar a profissão de caminhoneiro, passando a realizar apenas pequenos trabalhos para sobreviver. Segundo ele, amigos e familiares o incentivaram a disputar um cargo eletivo, afirmando que sua presença em Brasília e o relato da própria história ajudaram a sensibilizar parlamentares sobre a necessidade de leis mais rígidas de proteção a crianças e adolescentes.
“Eu sempre dizia que não tinha feito nada lá, mas me responderam que só o fato de eu estar presente, contar a história e ser visto, já fazia diferença. Pensei: o ‘não’ eu já tenho, então por que não tentar?”, afirmou.
Regivaldo está atualmente filiado ao Partido Novo, que, segundo ele, tem oferecido apoio político e estrutural. A definição oficial da candidatura deve ocorrer após reuniões internas da legenda, previstas para os próximos meses.
O caso continua sendo lembrado como um marco na luta por políticas públicas de combate à violência sexual contra crianças em Mato Grosso e no país.
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