NOVOS CASOS

Brasil registra aumento de infecções por HIV enquanto mundo avança na redução de novos casos

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Enquanto o número de novas infecções pelo HIV apresenta queda expressiva no cenário mundial, o Brasil aparece entre os países que registraram aumento ao longo dos últimos anos. O alerta consta em dados divulgados pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro.

O relatório mostra que as novas infecções por HIV no mundo caíram cerca de 43% desde 2010, mas o avanço não ocorre de maneira uniforme entre os países. Na América Latina, por exemplo, houve aumento de 13% no período, segundo a estratégia global da organização.

No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que 39.216 detecções de infecção pelo HIV foram registradas em 2024, contra 38.222 em 2023. O número representa uma alta de aproximadamente 2,6% de um ano para o outro.

Apesar do crescimento, o cenário brasileiro também apresenta indicadores positivos em outras áreas da resposta à epidemia.

Mortes por aids apresentam queda

Enquanto as novas detecções de HIV tiveram leve alta, o número de mortes relacionadas à aids apresentou redução significativa.

Em 2024, foram registrados 9.157 óbitos por aids no Brasil, contra 10.500 no ano anterior. A queda foi de 12,8% e levou a taxa padronizada de mortalidade para 3,4 mortes por 100 mil habitantes, o menor índice da série histórica do país.

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Também houve redução de 1,5% nos casos de aids, que passaram de 37.527 em 2023 para 36.955 em 2024. Os dados indicam o impacto do diagnóstico, do acompanhamento médico e da ampliação do acesso ao tratamento antirretroviral.

Jovens estão entre os grupos que exigem atenção

Os dados do Ministério da Saúde também mostram uma concentração importante de novos registros entre homens jovens.

Em 2024, homens de 20 a 29 anos representaram 44,7% dos novos casos registrados entre o sexo masculino. Adolescentes de 15 a 19 anos responderam por 5,2%.

Ao longo da série histórica, entre 1991 e setembro de 2025, foram registrados mais de 175 mil casos de infecção pelo HIV entre pessoas de 15 a 24 anos, o equivalente a 25,7% do total de registros no período.

Prevenção continua sendo prioridade

Diante do cenário, a prevenção permanece como uma das principais estratégias para reduzir a transmissão do HIV.

O Sistema Único de Saúde oferece diferentes formas de prevenção, incluindo preservativos, testagem rápida, autoteste, profilaxia pré-exposição (PrEP) e profilaxia pós-exposição (PEP), além do tratamento antirretroviral para pessoas que vivem com HIV.

O Ministério da Saúde também informou que a oferta de testes rápidos para HIV na rede pública aumentou 100% nos últimos três anos. Atualmente, uma parcela dos pacientes inicia o tratamento no mesmo dia em que recebe o diagnóstico, enquanto mais da metade começa a terapia antirretroviral em até 30 dias.

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Outra estratégia em avaliação é a PrEP injetável de longa duração, que poderá ampliar as opções de prevenção para pessoas que não vivem com HIV e apresentam risco de exposição. A tecnologia, aplicada a cada dois meses, está em análise para possível incorporação ao SUS.

Brasil avançou no combate à transmissão

Apesar do alerta relacionado às novas infecções, o país também acumula avanços importantes no enfrentamento do HIV.

Em dezembro de 2025, o Brasil recebeu certificação da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS) pela eliminação da transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública. O reconhecimento está relacionado aos resultados alcançados na prevenção da transmissão do vírus de mãe para filho.

Os números mais recentes, portanto, mostram um cenário com avanços e desafios simultâneos: o tratamento tem contribuído para reduzir mortes e a progressão da doença, enquanto a ocorrência de novas infecções continua exigindo atenção, especialmente entre grupos mais jovens.

Para as autoridades de saúde, a ampliação da testagem, o diagnóstico precoce, o acesso ao tratamento e o fortalecimento das estratégias de prevenção são fundamentais para reduzir a transmissão do HIV e manter a queda da mortalidade registrada nos últimos anos.

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