SAÚDE

CAOS NA SAÚDE: Hospital raciona medicamento e sobrecarrega enfermeiros, denuncia médico; Veja o depoimento

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Má administração, que vai de racionamento de medicamentos a cobranças indevidas são algumas das denúncias do médico Wagner Miranda Jr, contra o Santa Rita Hospital e Maternidade, em Alta Floresta. De acordo com depoimento prestado no dia 12 de abril, o Ministério Público Estadual (MPE) e Polícia Civil abriram investigação contra a unidade de saúde.

 

O hospital foi denunciado por familiares de pacientes com covid-19 em março, devido a cobranças abusivas por um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). No entanto, além do valor abusivo, a internação tinha inúmeros defeitos – o que não corresponde ao alto valor cobrado.

 

 

 

Além de trabalhar na unidade de saúde, Wagner Miranda disse ter vivido de perto a falta de administração do local, pois seus sogros foram internados ali. “Não é barato e não tem serviço adequado. Não tem, não adianta. R$ 8 mil por dia, pra você não ter um banheiro, um frigobar ou não ter uma técnica”, detalha.

 

O médico relata ainda a sobrecarga de técnicos de enfermagem e enfermeiros, uma vez que o hospital dispunha de um técnico para até 20 pacientes. “Era uma técnica [de enfermagem] pra mais de 20 pacientes, é pouca técnica. Um enfermeiro pra muitos pacientes de covid. Na UTI do SUS, não tem como falar. Mas da particular sim, é pouco técnico”, expôs.

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Outra denúncia de Wagner diz respeito ao racionamento de medicamentos. “Tem muito racionamento. Isso é anti-humano”, defende.

 

Segundo conta, o racionamento ocorria todos os dias, com pacientes que precisavam de dosagens por 24 horas. Um exemplo é o fentanil, que é utilizado contra dores intensas e, em conjunto com outras substâncias, para anestesias.

 

“Na sexta-feira, um paciente usa mais de 4 ampolas em 24 horas de fentanil, que ocorre em bomba, em soro. Mas vamos supor, a gente tem que prescrever de 6 a 8 ampolas, de modo que 4 é metade da dose que ele necessita. E é 4 em um dia, se fosse 4 para 12 horas tudo bem, mas é 4 pra um dia”, explica Wagner.

 

 

 

O racionamento dos medicamentos pode prejudicar o tratamento das pessoas com covid-19. “Paciente sente dor, o fentanil ajuda a diminuir as dores, as dores repercutem quando ele respira”, conta.

 

A tensão no hospital era tamanha, que o médico descreve que já viu uma fisioterapeuta chorando. Ele contava sobre o mau funcionamento de ventiladores e respiradores, que apesar de receberem manutenção, não operavam com qualidade.

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“Esses dias eu tive a oportunidade de ver uma fisioterapeuta chorando, porque ela já não aguentava mais ver os respiradores fora do lugar e os pacientes descompensados. Isso foi na sexta-feira, ela até falou de sair também. Todas essas coisas, fios no chão, água no chão, fazer hemodiálise errada e a hemodiálise sai…”, descreveu.

Outro lado

 

A reportagem entrou em contato com o hospital, porém, as ligações não foram atendidas. No entanto, a unidade médica publicou um comunicado em seu perfil no Facebook sobre os acontecimentos de segunda-feira (12).

 

De acordo com a carta aberta, o Hospital e Maternidade Santa Rita se preparou para atuar diretamente na linha de frente de combate à pandemia, o que exigiu uma série de investimentos, adequações e capacitações da equipe de saúde.

 

O hospital foi o único privado de Alta Floresta que se dispôs a garantir o atendimento de pronto socorro, suspeita e internação de pacientes com covid-19. “Todos os leitos de UTI estão devidamente equipados, de acordo com as exigências da Anvisa para estruturação de uma Unidade de Terapia Intensiva”, diz trecho. Veja a nota na íntegra:

 

 

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