SAÚDE

Névoa mental na menopausa: o que acontece com o cérebro feminino

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Bruna Ghetti | Ginecologista especialista em mulheres 40+

Era uma terça-feira comum. Ela estava no supermercado quando percebeu que não lembrava mais o motivo de estar naquele corredor. Voltou ao carrinho, tentou retomar o raciocínio, mas não conseguiu. Em casa, ficou em dúvida se havia desligado o forno e precisou conferir várias vezes. “Não sou mais eu”, disse na consulta. Aos 49 anos, engenheira, com sono ruim há meses, acreditava estar com algo grave.

Na prática clínica, esse quadro é conhecido como névoa mental (brain fog), uma queixa frequente na perimenopausa e menopausa, mas ainda pouco reconhecida. Não se trata de falta de capacidade intelectual, mas de uma alteração real em funções cognitivas.

O que é a névoa mental?

O termo descreve uma sensação de lentidão cognitiva. A pessoa sabe o que quer dizer, mas não encontra palavras com facilidade. Esquece o motivo de entrar em um ambiente, perde o fio da conversa e sente dificuldade de concentração.

Do ponto de vista médico, há impacto em funções como memória de trabalho, atenção sustentada, velocidade de processamento e funções executivas. Não é apenas cansaço ou fator psicológico — há base fisiológica envolvida.

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O papel dos hormônios no cérebro

O estrogênio atua em diversas regiões do sistema nervoso central, como o hipocampo (memória) e o córtex pré-frontal (raciocínio e tomada de decisão). Ele também influencia neurotransmissores como serotonina, dopamina e acetilcolina.

Com a queda hormonal da perimenopausa, essas funções podem sofrer alterações. O cérebro passa a operar com menor eficiência em processos de memória e atenção.

Além disso, a alteração hormonal afeta diretamente o sono. Insônia e despertares noturnos são comuns nessa fase, e a privação de sono agrava ainda mais os sintomas cognitivos.

O impacto do sono

Um sono fragmentado compromete a consolidação da memória e a capacidade de processamento mental. Muitas vezes, o que a paciente percebe como “falha de memória” é, na verdade, efeito acumulado de noites mal dormidas.

O que pode ser feito

O primeiro passo é reconhecer e nomear o sintoma, reduzindo a culpa e a ansiedade associadas. Em seguida, é importante uma avaliação médica completa, que pode incluir hormônios, tireoide, vitamina D, B12, ferro e qualidade do sono.

A terapia hormonal, quando bem indicada e iniciada no momento adequado, pode ajudar na melhora dos sintomas cognitivos e na qualidade de vida. A decisão deve ser individualizada e feita com acompanhamento médico.

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A névoa mental não representa perda de identidade ou capacidade. É uma fase relacionada a mudanças hormonais e metabólicas que pode ser compreendida e tratada com abordagem adequada.

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