SAÚDE EM ALERTA

População de MT sonha com “canetas emagrecedoras” pelo SUS após obesidade mais que dobrar; mais de 221 mil podem ser beneficiados

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O número de adultos com obesidade acompanhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) mais que dobrou em Mato Grosso entre 2008 e 2025. O índice passou de 17,16% para 37,59%, colocando o estado diante de um cenário que pode ampliar a demanda por tratamentos contra a doença.

Com isso, mais de 221,9 mil pessoas podem ser diretamente impactadas caso as chamadas canetas emagrecedoras sejam incorporadas à rede pública.

A proposta ainda está em análise. O Ministério da Saúde encaminhou à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) um pedido para avaliar a inclusão de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras.

Tratamento pode custar até R$ 3 mil por mês

Segundo a Anvisa, mais de 750 mil pessoas utilizam esse tipo de medicamento por mês atualmente no Brasil.

O custo varia conforme o remédio e a dosagem, podendo ficar entre R$ 1 mil e R$ 3 mil por mês para cada paciente.

De acordo com o Ministério da Saúde, a estimativa inicial é de um investimento de aproximadamente R$ 1,5 bilhão por ano para ampliar a oferta dos medicamentos pela rede pública.

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A pasta estima ainda que a compra em grande escala e a produção nacional possam reduzir entre 80% e 90% os preços de aquisição.

Paciente relata perda de 25 quilos

Para quem convive com a obesidade, a possibilidade de receber o tratamento gratuitamente é vista com expectativa, principalmente por pacientes que não conseguem arcar com os custos.

Antônia Vanda, de 55 anos, convive com a obesidade desde a infância e afirma ter enfrentado complicações relacionadas ao excesso de peso. Segundo ela, foi necessário passar por uma cirurgia na perna após problemas de circulação que evoluíram para uma gangrena venosa.

Com o agravamento do quadro, ela passou a utilizar as canetas em busca de melhorar a qualidade de vida.

O custo, porém, se tornou outro obstáculo.

“Eu não tive escolha. Ou dava um jeito e comprava as canetas, ou não sei o que seria.”

Antônia afirma ter perdido 25 quilos após o tratamento e relata melhora na pressão arterial e no diabetes.

“Eu já perdi 25 quilos, melhorei minha pressão, minha diabetes. Essa é, sem dúvida, a chance de muita gente que não vê mais saída.”

A eventual oferta dos medicamentos pelo SUS ainda depende de avaliação técnica e da definição de critérios de acesso, acompanhamento médico e impacto financeiro para o sistema público. Especialistas também defendem que o enfrentamento da obesidade não dependa apenas dos medicamentos, mas envolva acompanhamento e outras medidas de cuidado à saúde.

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