MULHER
Masculinidade tóxica: medo do exame de próstata atrapalha a prevenção
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil teve quase 66 mil novos casos de câncer de próstata entre 2020 e 2022 1 . Porém, quanto mais se estuda o câncer de próstata, mais se conclui que seus agravantes são tão sociais quanto fisiológicos.
O famoso ideal de masculinidade que tantos homens carregam, principalmente os acima dos 50 anos e justamente aqueles com maior risco de ter a doença, desorienta os pacientes antes, durante e depois do tratamento.
De acordo com pesquisas 2 , 34% dos homens acreditam que o exame retal – principal identificador da enfermidade – afeta a sua masculinidade. Muitos deles associam invulnerabilidade com masculinidade. O receio de fazer exames preventivos e descobrir essa ou outras doenças é o maior motivador de um comportamento de negligência que muitos homens têm em relação à sua própria saúde.
Há pelo menos sete estudos nacionais e internacionais que ressaltam como a autoimagem do homem muda após a confirmação do câncer de próstata 3 -10 . O medo da doença o faz questionar seu papel masculino frente à família, às companheiras ou companheiros, aos amigos e aos colegas de trabalho.
Como consequência, sua qualidade de vida cai drasticamente e, além da doença em si, tem de enfrentar barreiras psicológicas. Finalmente, com a doença controlada, podem surgir receios – agora das consequências do tratamento, que, em alguns casos, envolve desde perda de vigor físico até disfunção erétil.
Muitos homens creem que somente o órgão peniano os define como indivíduos da sociedade. Muitos acreditam que um problema na genitália é uma sentença de morte. É necessário se libertar de uma vez por todas dessa crença que nos aprisiona há séculos.
Até bem pouco tempo, os homens se validavam pelo número de vezes que faziam sexo na semana, se eram efetivos. Hoje, a relação com a sexualidade mudou. Há diversas maneiras de dar e sentir prazer. Além disso, o sexo está muito mais na cabeça do que na genitália, é bom lembrar. Sem contar toda a graça do amor, da cumplicidade e da sedução.
Uma doença como o câncer não torna o indivíduo menor, nem mais frágil. É claro que uma patologia que exige a retirada de um tumor faz com que qualquer um se perceba vulnerável, o que pode provocar quadros de depressão ou ansiedade. Mas a boa notícia é que, além das terapias mais modernas, a relação médico e paciente está mais próxima, abrindo espaço para um melhor entendimento das possibilidades de tratamento e tomada de decisões.
O câncer não deve determinar quem somos, muito menos o de próstata. O homem é muito mais do que essa doença. Do contrário, não seríamos capazes de enfrentar os desafios do tratamento de qualquer outra doença.
Fonte: IG Mulher
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