VENDA DE SENTENÇAS
Desembargador que favoreceu ex-secretários de MT presos por corrupção é alvo da PF
Célio Rodrigues, da saúde de Cuiabá, e Eder Moraes, ex-chefe da Casa Civil, deixaram a cadeia por ordem do magistrado
Alvo da Operação Habeas Pater, deflagrada nesta terça-feira (14) em Brasília, por suspeita de venda de sentenças a traficantes, o desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, Cândido Ribeiro, tem histórico recente de conceder liberdade a políticos de Mato Grosso investigados pela Polícia Federal.
O TRF da 1ª Região é sediado na capital federal e atua como segunda instância em ações e processos com origem na Justiça Federal de Mato Grosso, Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão.
Em nota à imprensa, o gabinete de Cândido Ribeiro disse que a operação corre em sigilo e que o desembargador não tem nada a declarar.
Em novembro de 2021, o magistrado concedeu habeas corpus ao ex-secretário de Saúde de Cuiabá, Célio Rodrigues, que havia sido preso na Operação Cupincha, por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o desvio de recursos públicos destinados à saúde.
De acordo com as investigações, um grupo empresarial, que forneceu serviços à Secretaria Municipal de Saúde e que recebeu, entre os anos de 2019 e 2021, mais de R$ 100 milhões, esteve à frente dos serviços públicos com o pagamento de vantagens indevidas, seja de forma direta ou por intermédio de empresas de consultoria, turismo ou até mesmo recém transformadas para o ramo da saúde.
O desembargador Cândido Ribeiro também concedeu liberdade, em junho de 2016, ao ex-secretário de Estado Eder Moraes, após prisão preventiva cumprida pela Polícia Federal, por determinação do juiz federal Jefferson Schneider, em uma das fases da Operação Ararath, que investigou amplo esquema de lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional, cujo principal alvo foram autoridades públicas de Mato Grosso.
Pai e filho são alvos da PF
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (14), a “Operação Habeas Pater” em Belo Horizonte (MG), Brasília (DF) e São Luís (MA) para apurar o envolvimento do desembargador federal Cândido Ribeiro e do seu filho, o advogado Ravik de Barros Bello Ribeiro, pela suspeita de ligações com investigados da “Operação Flight Level 2”. O magistrado é suspeito de vender sentenças judiciais a traficantes.
Durante mandados de busca e apreensão, agentes da PF encontraram R$ 270 mil em dinheiro vivo em um cofre na casa de Ravik.
A ação policial combate possíveis crimes de corrupção ativa e passiva, e cumpre nove mandados de busca e apreensão, determinados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
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