MULHER
Silvia Rubies: Infidelidade feminina, tabu que reflete a desigualdade
Mesmo com importantes avanços nas últimas décadas, é inegável que a sociedade em que vivemos, de modo geral, ainda é bastante machista. Em diversos campos, os espaços e as condições seguem desiguais entre os gêneros. Engana-se, no entanto, quem pensa que isso ocorre apenas no mercado de trabalho, nas instituições e naquilo que é considerado direito ou dever dentro de uma família.
Essa disparidade também pode ser vista quando o assunto são as necessidades, os prazeres e desejos das mulheres, que continuam sendo enterrados, escondidos e vistos com um grande tabu – e é ainda quando está relacionada diretamente à infidelidade. Na nossa sociedade, o homem infiel é perdoado e a mulher, condenada.
O fato se torna mais evidente ao olharmos os resultados de uma pesquisa realizada no Brasil, no fim de 2022, a pedido da Gleeden, plataforma número 1 de encontros extraconjugais e relações não monogâmicas do mundo. Segundo os dados coletados, 52% dos entrevistados apontaram que a “infidelidade faz parte da natureza dos homens”, só 2%, que “faz parte da natureza da mulher”, enquanto os outros 48% disseram que “faz parte da natureza de ambos os sexos”. Nessa mesma pesquisa, 92% concordaram que as mulheres são mais julgadas quando traem e 99%, que os homens têm mais liberdade sexual.
A diferente maneira como a infidelidade feminina é encarada é também um reflexo do modo como tantos outros aspectos envolvendo os gêneros são vistos na nossa sociedade. Então, é preciso quebrar o estigma de que apenas homens têm o direito de ser infiéis durante uma relação e de que mulheres que traem merecem menos respeito.
Outro levantamento, também realizado pela Gleeden com mulheres brasileiras, em março deste ano, apontou que 32% delas buscam a infidelidade para “se sentir sexy e desejada novamente” e 28% por “falta de atenção do parceiro”. Mas por que buscar atenção e carinho fora do relacionamento?
Isso ocorre, na maioria das vezes, porque a maioria das usuárias não os recebe dos parceiros, que estão acomodados com a situação e deixam o tempo passar. Os relacionamentos acabam esfriando, o que gera desconforto e faz com que elas busquem novas aventuras, apesar de ainda continuarem amando e respeitando quem está diariamente ao lado delas.
Cada vez mais mulheres estão em busca de encontros extraconjugais em plataformas como a Gleeden, que, por ser um ambiente seguro, ultrapassou recentemente a marca de 10 milhões de usuários ao redor do mundo – 645 mil estão no Brasil.
Ingressar em uma plataforma como a Gleeden não é uma decisão fácil. Por conta do preconceito, muitas das usuárias ainda têm medo de perder a família e de serem vistas como promíscuas pela sociedade. Certamente, essas são preocupações que a maioria dos homens não tem.
Fonte: Mulher
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