inimputável

Mãe de adolescente executada grávida pede compaixão aos desembargadores após assassina se livrar do júri

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Ana Paula Azevedo, mãe da adolescente Emily Sena, morta por Nataly Helen, pediu compaixão aos desembargadores do Tribunal de Justiça e clamou que a assassina cumpra a pena máxima pelo crime cometido contra a jovem. Nataly, que confessou o crime, revelou que matou a adolescente e arrancou o bebê de seu ventre porque tinha o desejo de ter mais um filho.

 

Ana Paula deu um relato carregado de tristeza onde pediu compaixão aos desembargadores e desabafou que ela é, agora, uma mulher que está estraçalhada. A expectativa é que a Defensoria Pública ou o Ministério Público apresentem algum recurso contra a decisão do Tribunal, que livrou Nataly do julgamento popular por considerá-la inimputável por insanidade mental.

“Que eles olhassem, tivessem compaixão de mim, que olhassem para mim como mãe como uma mulher que está estraçalhada, que foi arrancada a filha dela. Que a Nataly tirou esse direito, esse meu direito de ter minha filha, tirou o direito de Emily de ser mãe, de acompanhar a filha dela”, relatou Ana, afirmando que não terá o prazer de passar o Natal com a própria filha.

Além da dor irreparável, a ânsia por Justiça também embala o relato de Ana, que à reportagem, além de pedir que a assassina cumpra a pena cheia, contou que Nataly teve a chance de desistir, mas que não quis.

O crime brutal e insano que chocou o país foi cometido no dia 12 de março deste ano, quando Nataly atraiu Emily sob o pretexto de entregar uma doação de roupas à ela. A jovem, então, foi até a casa da suspeita, no bairro Jardim Florianópolis, onde Nataly começou a conversar com ela para a  ludibriar. Em determinado momento a atacou, a estrangulando com um fio até que ela ficasse desacordada.

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Com a jovem desmaiada, Nataly começou a cortar a barriga da adolescente, com ela ainda em vida e depois retirou o bebê.

Nataly, que estava há meses fingindo que estava esperando uma criança, após a barbárie, enterrou Emily em uma cova rasa e assumiu o bebê como se fosse seu e relatou ao marido, parentes e amigos que havia dado a luz em casa.

Contudo, no hospital, Santa Helena, médicos suspeitaram da forma como ela estava e, após asubmeterem a exames e verem que não estava gestante, acionaram a Polícia. Nataly, então, foi presa e logo a verdade veio à tona.

Nataly confessou o crime em depoimento à Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmando que fez porque queria muito um filho. A mulher, que já é mãe de três, terminou presa preventivamente após audiência de custódia e segue aguarda desde então os próximos passos do processo.

Enquanto isso, o Tribunal de Justiça proferiu decisão que a livrou do júri popular, por considerá-la inimputável diante de quadro de insanidade mental. É contra esta decisão que a mãe da jovem protesta.

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No recurso, os advogados Icáro Vione de Paulo e André Luis Fort afirmaram que o juiz de primeira instância não respeitou o devido processo legal ao negar o pedido de exame de insanidade mental, mesmo diante de laudos médicos que apontariam histórico psiquiátrico da acusada.

Em seu voto, a desembargadora Juanita Cruz da Silva Clait explicou que o fato de a suspeita ter elaborado e executado o plano sozinha não é indicativo suficiente de sanidade mental. Ela citou estudo que demonstra que há inúmeros casos de indivíduos portadores de transtornos mentais que, apesar de comprometimentos cognitivos ou volitivos, conseguem organizar e realizar condutas complexas durante surtos ou episódios psicopatológicos.

“A elaboração de um plano detalhado não afasta, por si só, a hipótese de comprometimento mental, visto que determinados transtornos psiquiátricos permitem períodos de aparente lucidez, seguidos de surtos de descontrole, cabendo à perícia médica avaliar a capacidade de entendimento e autodeterminação à época dos fatos”, afirma trecho do voto.

A desembargadora ainda destacou que não possui conhecimento técnico necessário para identificar possíveis transtornos psicóticos da suspeita. Por isso, suspendeu a decisão que a levava ao júri popular e determinou que Nataly Helen seja submetida ao exame de insanidade mental.

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