LUCAS DO RIO VERDE

Erros de português levaram quadrilha ao radar da polícia; saiba por quê

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Uma falha na escrita foi decisiva para que a Polícia Civil de Mato Grosso desmantelasse um esquema sofisticado de estelionato eletrônico que utilizava contas Gov.br invadidas para financiar veículos em nome de terceiros. A investigação culminou na Operação CyberCombat, deflagrada na manhã desta quarta-feira (21), com prisões e mandados cumpridos em São Paulo.

Segundo informações apuradas, a apuração teve início após funcionários de uma concessionária de Lucas do Rio Verde desconfiarem da forma como um suposto procurador de Justiça se comunicava por WhatsApp. Apesar de se apresentar como autoridade do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o interlocutor cometia erros ortográficos graves e demonstrava dificuldade de se expressar, comportamento incompatível com o cargo que dizia ocupar.

Conta Gov.br invadida facilitou golpes

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Breno Houly, os criminosos exploravam uma vulnerabilidade no sistema Gov.br para obter acesso indevido às contas das vítimas. Com isso, tinham em mãos dados pessoais sensíveis, como CPF, informações bancárias e registros oficiais.

“Eles davam preferência a bancos que aprovavam financiamentos sem exigir reconhecimento facial. Como tinham domínio da conta Gov da vítima, conseguiam assinar documentos e avançar com o trâmite”, explicou o delegado.

Desconfiança em cidade pequena revelou fraude

O golpe quase foi consumado em Lucas do Rio Verde, mas acabou frustrado graças à cautela da concessionária. Por se tratar de uma cidade de porte médio, os funcionários decidiram confirmar diretamente com um magistrado da comarca se o suposto comprador realmente era procurador. Ao entrar em contato com a vítima verdadeira, ficou claro que se tratava de uma fraude.

A partir dessa denúncia, a Polícia Civil conseguiu mapear a atuação interestadual da quadrilha, identificar o modo de operação e chegar aos envolvidos.

Veículos eram “esquentados” e revendidos em SP

As investigações apontaram que, após a liberação dos financiamentos, os veículos passavam por um processo conhecido como “esquentamento”, com adulteração de documentos e transferências simuladas, dificultando o rastreamento.

Na sequência, os automóveis eram revendidos no estado de São Paulo, gerando lucro direto para o grupo criminoso. Os investigados também chamaram atenção da polícia por ostentar uma rotina de alto padrão nas redes sociais, exibindo veículos de luxo incompatíveis com a renda declarada.

Prisões e mandados cumpridos em SP

A Operação CyberCombat cumpriu nove ordens judiciais, sendo três prisões preventivas, três mandados de busca e apreensão e três quebras de sigilo telemático, expedidas pela 2ª Vara Criminal de Lucas do Rio Verde.

Para o cumprimento das decisões, equipes da Polícia Civil de Mato Grosso se deslocaram até Piracicaba, com apoio da Polícia Civil de São Paulo. Ao todo, três pessoas foram presas.

Investigação segue

Com base nos elementos reunidos, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva dos investigados, além das medidas de busca e quebra de sigilos, todas deferidas pela Justiça, com parecer favorável do Ministério Público.

As investigações continuam para identificar novas vítimas, apurar a extensão do vazamento de dados do Gov.br e verificar se há outros envolvidos no esquema criminoso. O caso segue sob investigação.

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