MATO GROSSO

Santuário teve licença suspensa antes de receber novo elefante em MT; entenda o caso

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O Santuário de Elefantes Brasil, localizado em Mato Grosso, voltou a receber novos animais após ter a autorização temporariamente suspensa pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT). A medida ocorreu durante uma investigação relacionada às mortes das elefantas Kenya e Pupy.

A autorização para a entrada de novos elefantes foi restabelecida em fevereiro deste ano, depois que autoridades sanitárias concluíram que não havia risco à saúde dos animais que chegassem ao local.

De acordo com a atualização mais recente apresentada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em janeiro deste ano o santuário entregou documentos referentes aos protocolos utilizados no manejo dos animais, assistência veterinária e controle sanitário.

A documentação apresentada incluía procedimentos de quarentena, desinfecção e outras medidas adotadas para reduzir riscos sanitários.

Causa das mortes ainda não foi definida

Nas análises ambientais avaliadas pelo Ibama, não foi identificada a presença de bactérias do grupo Mycobacterium do complexo tuberculosis nas amostras examinadas.

O resultado, entretanto, não foi suficiente para determinar o que provocou a morte de Kenya e Pupy.

Segundo o instituto, os laudos completos das necropsias das duas elefantas ainda não faziam parte da documentação analisada. Por isso, não havia elementos suficientes para estabelecer uma causa definitiva para os óbitos ou afirmar se existia alguma relação entre as mortes e as condições de manejo mantidas pelo santuário.

Santuário contesta acusações

Durante o período em que a autorização esteve suspensa, o Santuário de Elefantes Brasil foi alvo de questionamentos relacionados ao funcionamento e às condições oferecidas aos animais.

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A organização negou as acusações divulgadas nas redes sociais e afirmou que estava sendo alvo de uma campanha de descrédito. O santuário também criticou a suspensão determinada pela Sema-MT e ressaltou que a medida não afetava os elefantes que já viviam no local.

Após a licença ser restabelecida, a organização afirmou que a decisão reforçava a capacidade técnica e a transparência dos procedimentos adotados. O santuário também declarou que seus protocolos seguem as exigências estabelecidas pelos órgãos responsáveis.

Sandro chega ao santuário após disputa judicial

Enquanto o caso ainda era acompanhado pelas autoridades, o santuário recebeu um novo morador. O elefante Sandro, que vivia no Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), foi transferido para Mato Grosso após uma determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

O animal permaneceu no zoológico desde a década de 1980. A transferência ocorreu depois de uma longa disputa judicial envolvendo o destino e as condições de vida do elefante.

A viagem começou na quarta-feira (16). A carreta que transportava a caixa onde Sandro estava deixou o zoológico por volta das 12h10. Durante a saída, houve protesto de pessoas contrárias à transferência, e a Polícia Militar utilizou spray de pimenta para dispersar os manifestantes.

Após aproximadamente três dias de viagem, Sandro chegou ao santuário nesta sexta-feira (18).

A abertura da caixa de transporte ocorreu por volta das 13h31. Segundo os responsáveis pelo acompanhamento, o elefante saiu espontaneamente e não precisou ser forçado pelos profissionais. Em menos de um minuto, Sandro deixou a estrutura e entrou no novo recinto.

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Nos primeiros momentos no local, o animal chegou a tomar um “banho de terra”, comportamento registrado pelas equipes que acompanhavam a adaptação.

Como funciona o Santuário de Elefantes Brasil

O Santuário de Elefantes Brasil é apresentado como o primeiro espaço do tipo destinado a elefantes na América Latina. O projeto é conduzido pelo Global Sanctuary for Elephants (GSE) e pela ElephantVoices, organizações voltadas à conservação e ao bem-estar dos animais.

A instituição não tem fins lucrativos e recebe elefantes que passaram parte da vida em cativeiro, oferecendo áreas amplas e acompanhamento voltado à recuperação física e comportamental.

Diferentemente de zoológicos, o santuário não recebe visitação pública. Os animais podem circular pelas áreas disponíveis e permanecer distantes dos tratadores, inclusive em regiões de vegetação.

A proposta é proporcionar aos elefantes um ambiente diferente daquele em que viveram anteriormente, evitando que continuem sendo mantidos como atrações após períodos em circos, zoológicos ou outros espaços de cativeiro.

Parte da rotina dos animais é divulgada pelas redes sociais e pelo site do projeto, que publica informações e vídeos sobre os cuidados realizados. A instituição também mantém um sistema de adoção simbólica, pelo qual apoiadores podem contribuir financeiramente para a manutenção dos elefantes.

 

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