CASO RENATO NERY

Justiça mantém cobrança de R$ 146 mil contra empresária acusada de mandar matar advogado em MT

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Julinere Goulart Bentos tentou ser excluída de ação envolvendo dívida contraída pelo marido, mas magistrada determinou continuidade do processo para apurar responsabilidade pelas compras.

A Justiça de Mato Grosso decidiu manter a empresária Julinere Goulart Bentos como parte em uma ação de cobrança de R$ 146 mil, referente à compra de peças agrícolas realizada por seu marido, Cesar Jorge Sechi, em 2025. O casal está preso desde maio de 2025, acusado de ser mandante do assassinato do advogado Renato Nery, morto a tiros em julho de 2024, em Cuiabá.

A decisão foi proferida pela juíza Isabela Ramos Frutuoso Delmondes, da 2ª Vara Cível de Juara, e publicada nesta quarta-feira (21). A magistrada rejeitou um pedido da defesa da empresária para que ela fosse retirada do processo movido pela empresa Lider Agrícola Distribuidor de Peças Ltda.

Conforme a ação judicial, a cobrança envolve 14 duplicatas mercantis emitidas entre janeiro e fevereiro de 2025, relacionadas ao fornecimento de peças agrícolas. Embora os documentos tenham sido assinados por Cesar Jorge Sechi, a empresa sustenta que Julinere também deve responder pela dívida.

A defesa da empresária contesta a responsabilidade financeira e afirma que ela não participou diretamente das negociações, não assinou os títulos comerciais, não recebeu as mercadorias e tampouco autorizou o marido a realizar compras em seu nome.

Outro argumento apresentado pelos advogados é que o casal possui escritura pública de união estável com regime de separação total de bens. Segundo a defesa, essa condição impede que dívidas assumidas individualmente por Cesar sejam automaticamente atribuídas a Julinere.

Por outro lado, a Lider Agrícola apresentou documentos que, conforme sua argumentação, indicariam uma relação comercial envolvendo os dois empresários, o que justificaria a permanência da mulher na ação.

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Ao analisar o caso, a juíza entendeu que ainda não existem elementos suficientes para determinar a exclusão da empresária do processo, sendo necessária a produção de novas provas para esclarecer as circunstâncias das negociações.

A magistrada considerou que a discussão não se limita à assinatura das duplicatas, uma vez que a empresa afirma que Cesar teria realizado as compras em nome de Julinere.

Diante disso, a Justiça deverá analisar se a empresária participou das negociações, se autorizou o marido a agir em seu nome, se as mercadorias foram efetivamente entregues e quais são os efeitos do regime de separação total de bens sobre a cobrança.

Para esclarecer esses pontos, a juíza autorizou a produção de provas testemunhais. As partes deverão apresentar a relação de testemunhas que pretendem ouvir durante a tramitação do processo.

Após a realização dessa etapa, a Justiça poderá avaliar o conjunto de provas e decidir se a cobrança é procedente e se Julinere possui alguma responsabilidade pelo pagamento.

A decisão, portanto, não determina que a empresária pague imediatamente os R$ 146 mil, mas mantém seu nome no processo até que os fatos sejam devidamente esclarecidos.

Empresários são acusados de encomendar assassinato de advogado

Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi também respondem criminalmente pela acusação de envolvimento no assassinato do advogado Renato Nery, de 72 anos, ocorrido em Cuiabá.

O crime aconteceu no dia 5 de julho de 2024, quando o advogado foi surpreendido por disparos de arma de fogo em frente ao escritório onde trabalhava, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, na capital mato-grossense.

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Renato Nery foi atingido por sete tiros e chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na madrugada do dia seguinte.

De acordo com as investigações, a motivação do assassinato estaria relacionada a uma disputa judicial envolvendo uma propriedade rural de mais de 12 mil hectares, localizada no município de Novo São Joaquim.

Após décadas de disputas judiciais, Renato Nery conseguiu o reconhecimento de sua condição de coproprietário da área, decisão que teria provocado insatisfação no casal de empresários, residente em Primavera do Leste.

Outro ponto considerado nas investigações foi uma decisão obtida pelo advogado em março de 2024, quando o Tribunal de Justiça suspendeu pagamentos mensais de arrendamento superiores a R$ 2 milhões. A suspensão dos repasses foi confirmada em junho daquele ano, pouco antes do assassinato.

A investigação policial apontou que o crime teria sido planejado mediante promessa de pagamento de R$ 215 mil.

Além dos empresários, os policiais militares Ícaro Nathan Santos Ferreira, Jackson Pereira Barbosa e Heron Teixeira Pena Vieira foram apontados como supostos intermediários na execução do assassinato.

O responsável pelos disparos foi identificado como Alex Roberto de Queiroz Silva, que já foi submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri e condenado. A informação fornecida sobre a duração da pena é divergente, com referências a 33 e 36 anos de prisão.

Os demais acusados permanecem presos, mas ainda não foram condenados pelo crime.

Enquanto o processo criminal segue em andamento, a empresária também continuará respondendo à ação cível de R$ 146 mil, que terá sua responsabilidade financeira analisada pela Justiça após a produção das provas autorizadas.

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