CIDADES
DRAMA SOCIAL: Comunidade terapêutica é fechada e moradores são removidos
A comunidade terapêutica Valentes de Davi, no Parque Amperco, foi definitivamente fechada na manhã desta segunda-feira (13) por determinação da Justiça. Dezenas de moradores estão sendo realocados em um novo espaço no Bairro CPA.
O grupo é o mesmo que na semana passada fez um protesto em frente à Prefeitura de Cuiabá pedindo que o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) cumprisse a palavra e ajudasse a comunidade, que foi fechada por problemas sanitários.
Segundo a fundadora, pastora Fátima Correa, de 60 anos, o grupo é como uma grande família que começou há 19 anos.
Com o aumento de integrantes ao longo desse período, a comunidade se instalou em uma chácara no Bairro Parque Amperco.
Conforme a Prefeitura de Cuiabá, não havia condições de abrigamento no local, o que ocasionou o fechamento da unidade.
Para cumprir a determinação foi instituída uma Comissão Intersetorial composta por diversos órgãos, como Secretaria de Assistência Social, Direitos Humanos e da Pessoa com Deficiência, Secretaria Municipal de Saúde, Ministério Público e Defensoria Pública.
Como plano de ação de realocação, o Município disponibilizou 150 vagas em um novo espaço localizado no CPA, para os moradores da comunidade.
Segundo a Prefeitura, a quantidade de vagas é suficiente e superior ao número de moradores, que conforme levantamento não passa de 135.
Fátima, no entanto, aponta uma discrepância nos dados apurados no levantamento. Segundo ela, pelo menos 500 pessoas residem no local atualmente. “Quando chegou nos 450 barraquinhos, eu perdi a conta”, afirmou.
A pastora acompanhou de perto a interdição e a desocupação da comunidade, que vem sendo feita desde as primeiras horas da manhã desta segunda (13).
“Eles estão tirando os meus filhos aos pouquinhos, mesmo sem eles quererem, sem receber os idosos que a família não quis mais”, lamentou.
Um grupo de cerca de 30 pessoas, segundo a fundadora, dentre servidores da Vigilância Sanitária, oficiais de justiça entre outros, dá seguimento à desocupação.
Um ônibus está parado em frente à propriedade para transferir os moradores ao novo local.
Fátima lamenta também a demolição das construções erguidas pelos próprios membros da comunidade. “Falaram que vão quebrar tudo, fizeram com tanto carinho”.
Sem um teto na cabeça
Alguns dos moradores deixaram ontem mesmo o local, dizendo preferir morar na rua a ir para mais um albergue.
“Meus filhos têm o direito de ficar onde se sentem bem. Já conhecem esses lugares, os hotéis e albergues, e falam que preferem ir para a rua”.
Segundo a Prefeitura, “a oferta de acolhimento é garantida, mas não é obrigatória aos moradores da Comunidade. O aceite ao processo de acolhimento é facultativo”.
Em audiência presidida pelo juiz Bruno de Oliveira Marques, da Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá, os dias 13, 14, 20 e 21 de junho foram estipulados para o cumprimento das ações de realocação.
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