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NA LINHA DE FRENTE: Enfermeiro: “Medo é chegar no pico e ocorrer caos no sistema”

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Na linha de frente do combate à Covid-19, o enfermeiro Ademilson Pereira da Silva, de 42 anos, teme que o sistema público de saúde em Cuiabá possa colapsar ao chegar ao pico da doença.

Segundo ele, que trabalha no antigo Pronto Socorro – hoje Hospital de Referência contra a Covid – há tensão entre a categoria.

“A gente fica apreensivo. O medo é chegar no pico e a gente não conseguir alcançar o achatamento da curva. Se a gente chegar no pico pode ser que ocorra um caos no sistema, é isso que a gente tem medo”, afirmou.

Ademilson percebe diariamente o aumento de pacientes infectados com coronavírus, principalmente depois da reabertura de parte do comércio na Capital.

Medo pela profissão

Ele, que faz plantões de 12 horas, também se preocupa com a possibilidade de se infectar com o coronavírus. Porém, toma todos os cuidados possíveis para diminuir esse risco.

“A gente está lidando com algo diferente do que já tivemos. Por mais que a gente tem que ter cuidado a todo momento, por saber que é um vírus que tem letalidade maior, contágio muito fácil, então o medo é maior”, revelou Ademilson.

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O enfermeiro ainda se preocupa com os colegas que foram infectados, sendo dois que já morreram por conta da doença.

“A gente nunca espera que possa precisar. Estamos dando a vida para salvar outras. A gente nunca espera que possa ser um de nós que vai precisar de cuidados. […]Se não for a gente, quem poderia fazer esse trabalho? Depende muito de nós”.

O profissional também está sem poder ver os pais, que já são idosos, por temer transmitir o coronavírus.

“Já tem uns dois meses que não vejo meus pais, não dou um abraço, só por telefone mesmo”, lamentou Ademilson.

Ele afirmou ainda que se sente inseguro com os EPIs fornecedos à categoria. O enfermeiro revelou que muitos equipamentos são de origem duvidosa e até mesmo falsificados. Segundo Ademilson, os profissionais constantemente fazem denúncias ao Conselho Regional de Enfermagem (Coren), mas temem represálias.

“Não denunciamos por causa do assédio moral. Posso sofrer intimidações”.

TEXTO: MIDIA NEWS

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