GERAL
Presos do Comando Vermelho tinham caixa de R$ 55 mil e planilha para pagar advogados
O site Repórter MT teve acesso a registros de livros de contabilidade atribuídas à facção criminosa Comando Vermelho (CV), apreendidos pelos agentes penitenciários da Operação Elison Douglas, dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), antigo Pascoal Ramos.
As anotações apontam que, no mês de junho, o grupo tinha um caixa de R$ 55, 7 mil e cerca de R$ 6,6 mil foram usados para pagar contas dos membros como troca de óleo de carro e advogados.
Em três meses, o CV movimentou mais de R$ 25 mil em transações, sendo entrada e saída de caixa. No dia 5 de agosto, uma semana antes do início da ação, foi registrado o recebimento de R$ 10 mil pela facção.
Na lista, é possível observar que R$ 1 mil foi utilizado para o pagamento de uma moto Hornet, R$ 500 teriam sido repassados para uma pessoa intitulada advogado Linhares. Há citação a uma pessoa denominada de Doutor Val que também estaria registrado com um dos beneficiados.
São mais de 45 páginas de anotações dos crimes e finanças do CV. Todas as páginas estão sendo investigadas pela polícia e devem provocar operações contra pessoas ligadas a facção em todo Estado.

Golpe na OLX
Por meio dos livros do CV, a força-tarefa que atua na PCE já descobriu que os presos realizavam golpes de dentro da cadeia, com anúncios falsos de veículos em aplicativos de vendas, e operavam o esquema por celulares.
Os bandidos reuniam informações sobre carros de terceiros, como modelo, ano, quilometragem, valores, e até mesmo o Renavam (espécie de número de identidade do veículo), e publicavam anúncios na internet.
Quando a vítima entrava em contato com o anunciante (que no caso são os criminosos), eles diziam que mediante a um sinal de R$ 1.500, fariam a reserva do veículo, que seria entregue na casa do cliente, para um teste drive de 24 horas.
Ao realizar o pagamento, o carro seria retirado da lista de vendas. Ainda eram solicitados dados pessoais da vítima.
Operação
Uma grande operação foi deflagrada pela Segurança Pública do Estado (Sesp) para tirar mordomias de presos na PCE, unidade considerada de segurança máxima, em Cuiabá.
A ação ocorre em sigilo, desde o dia 12 de agosto, para fortalecer o enfrentamento contra os crimes dentro da unidade prisional.
De acordo com o Sindspen, a ação é uma resposta ao pedido de socorro da categoria de agentes prisionais após a execução do agente Elison Douglas, em Lucas do Rio Verde (333 km de Cuiabá), em 30 de junho.
A Polícia Judiciária Civil confirmou que o agente prisional foi vítima de uma emboscada. Ele foi morto com pelo menos 20 tiros no momento em que chegava em casa, no bairro Tessele Júnior. Um menor confessou a autoria do crime e disse que tinha uma desavença com o servidor. A polícia, no entanto, também tem como linha de investigação uma suposta ordem para matar Elison, que teria partido de dentro da cadeia.
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