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Veja a cronologia do crime após pai confessar ter matado as duas filhas

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Polícia apura se crianças foram mortas como forma de vingança contra a mãe; caso pode ser enquadrado como vicaricídio, crime que prevê pena de até 40 anos

As irmãs Isis e Lais, de 3 e 5 anos, foram encontradas mortas dentro de um carro na região de Cidade Dutra, zona sul de São Paulo, na madrugada de domingo (9). O pai das crianças, Breno de Souza Castro, de 24 anos, foi detido após comparecer a uma delegacia e, segundo o registro policial, admitir ter provocado a morte das próprias filhas.

O caso ganha contornos ainda mais graves diante do histórico relatado pela mãe das meninas, de 20 anos. Conforme o boletim de ocorrência, Breno já teria apresentado comportamento ameaçador contra a ex-companheira e as crianças.

Ameaça antes do crime

Segundo o registro policial, na tarde de sábado (8), a mãe publicou uma fotografia ao lado de amigas em uma rede social. Pouco depois, Breno teria enviado uma mensagem ameaçadora, indicando que aquela seria a última vez que ela veria as filhas.

Por volta das 15h30, ele saiu acompanhado das duas meninas e teria dito que as levaria para passear no Museu do Ipiranga.

As horas passaram e as crianças não retornaram. Por volta das 18h, uma irmã de Breno começou a questioná-lo por mensagens sobre onde estavam as sobrinhas. Conforme o relato feito à polícia, ele teria respondido que a família não veria mais as meninas.

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Diante da resposta, familiares avisaram a mãe, que passou a procurar o ex-companheiro durante a noite em locais que ele costumava frequentar.

Relacionamento teria sido marcado por violência

Em depoimento, a jovem contou que se relacionou com Breno durante aproximadamente oito anos. A separação teria ocorrido cerca de cinco meses antes das mortes, após episódios de violência física e supostas traições.

Ainda segundo o relato, Breno não teria aceitado o fim do relacionamento e passou a procurá-la insistentemente e a fazer ameaças.

Para diminuir o contato entre os dois, a família teria criado uma rotina para a entrega das crianças. Nos períodos em que as meninas ficariam com familiares paternos, a mãe as entregava à avó paterna em um ponto combinado, evitando encontrar Breno pessoalmente.

Pai procura delegacia

Por volta das 6h de domingo, Breno compareceu ao 48º Distrito Policial, em Cidade Dutra. Conforme o boletim, ele apresentava sinais de embriaguez e relatou aos policiais que havia provocado a morte das duas filhas.

O homem também teria indicado onde estava o veículo com as crianças.

Policiais seguiram até a Rua Luiz Supertti e localizaram um Renault Clio prata. Como o automóvel estava trancado e o pai não estava com as chaves, os agentes precisaram acessar o interior do carro.

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Isis e Lais foram encontradas sem vida. O Samu foi acionado e confirmou as mortes.

Polícia investiga possível vicaricídio

A principal linha apresentada no relato é de que as meninas possam ter sido mortas como uma forma de causar sofrimento à ex-companheira.

A legislação brasileira passou a tipificar especificamente o vicaricídio em abril deste ano. A Lei nº 15.384/2026 incluiu o artigo 121-B no Código Penal e define o crime como matar descendente, ascendente, dependente, enteado ou pessoa sob responsabilidade direta da mulher com a finalidade específica de causar a ela sofrimento, punição ou controle em contexto de violência doméstica. A pena prevista é de 20 a 40 anos de prisão, com possibilidade de aumento em determinadas situações, inclusive quando a vítima é criança ou adolescente. O vicaricídio também passou a integrar o rol dos crimes hediondos. 

O enquadramento definitivo do caso, porém, dependerá do avanço das investigações e da atuação do Ministério Público e do Judiciário.

A Polícia Civil pediu a conversão da prisão em flagrante de Breno em prisão preventiva, considerando, segundo o registro apresentado, a gravidade do caso e a necessidade de proteção da mãe das crianças.

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