MATO GROSSO

Moradores de MT que viveram a ditadura contam como foi votar para presidente pela 1ª vez

Eles só puderam escolher o presidente em 1989, já adultos, e seguem indo às urnas mesmo com o voto facultativo após os 70 anos.

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Marco Assumpção, Maria de Fátima e Edson Spenthof só votaram para presidente pela primeira vez depois dos 27 anos

Durante os 21 anos de ditadura militar, iniciada em 1964, os brasileiros não puderam escolher diretamente o presidente da República. Em Mato Grosso, quem viveu esse período lembra como a falta de liberdade política marcou a relação com as urnas e explica por que continua votando.

Neste domingo (25), cerca de 2,6 milhões de eleitores do estado estão aptos a votar no segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula. Para quem já cresceu com urna eletrônica e biometria, o direito pode parecer natural, mas ele foi reconquistado com mobilização popular.

Na eleição direta, o próprio cidadão escolhe o governante pelo voto secreto. Na indireta, a escolha fica a cargo de um colégio de representantes, como aconteceu na época do regime.

A cineasta Maria de Fátima Rodrigues, de 71 anos, o médico-veterinário Marco Assumpção, de 70, e o jornalista e professor Edson Spenthof, de 64, só votaram para presidente pela primeira vez em 1989. Dois deles já nem são obrigados a votar, mas fazem questão de comparecer.

Primeira candidata em Nova Xavantina

Maria de Fátima Rodrigues, hoje com 71 anos, votou para presidente pela primeira vez aos 35 | Foto: Reprodução/g1

Maria de Fátima chegou de São Paulo ao Araguaia nos anos 1970, época de pouca informação e governadores nomeados pelo regime. Ela lembra que muitas mulheres votavam conforme a orientação dos maridos.

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Envolvida com ações comunitárias para ajudar famílias de pequenos agricultores, foi lançada em 1981, sem experiência partidária, como a primeira candidata a vereadora do recém-criado município de Nova Xavantina. Segundo ela, a consciência política amadureceu com a Constituição de 1988, e a independência total nas escolhas veio em 2002.

Aos 67 anos, entrou no curso de Jornalismo da UFMT e já lançou três documentários sobre o protagonismo feminino em Mato Grosso.

Censura e mobilização

Marco Assumpção tinha 33 anos no primeiro voto para presidente; ao lado, comprovante de votação de 1994 | Foto: Reprodução/g1

Natural de Alegrete (RS), Marco Assumpção veio jovem para Mato Grosso trabalhar em propriedades rurais. Ele guarda lembranças da censura e atribui a volta do voto direto à pressão de trabalhadores, estudantes e sindicatos. Para ele, deixar de votar não ajuda a mudar a sociedade, e a democracia não deve ser vista como garantida.

Infância no campo e Diretas Já

Edson Spenthof votou para presidente pela primeira vez aos 27 anos | Foto: Reprodução/g1

Edson Spenthof nasceu dois anos antes do golpe e cresceu na zona rural gaúcha. Recorda de um colega que o avisou para não falar o nome de Leonel Brizola na escola e da chegada intimidadora da organização TFP à sua vila.

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Em 1984, já em Água Boa (MT), acompanhou a campanha das Diretas Já por leituras, debates e cartazes. Ele defende que o voto é essencial, mas que a participação política vai além do dia da eleição.

O papel de Dante de Oliveira

O símbolo das Diretas Já foi mato-grossense: o cuiabano Dante de Oliveira, então deputado federal, autor da emenda que propunha a volta das eleições diretas. Ele foi também deputado estadual, três vezes prefeito de Cuiabá, governador e ministro da Reforma Agrária, e morreu em 2006, aos 54 anos.

Votada em 25 de abril de 1984, a emenda teve 298 votos favoráveis, 22 a menos que os dois terços necessários. Tancredo Neves acabou eleito indiretamente em 1985, mas a mobilização abriu caminho para o voto direto, garantido na Constituição de 1988 e exercido em 1989.

Com informações do g1 MT.

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