BOTÃO DO PÂNICO

“A justiça falhou”, dizem filhas de professora morta pelo ex-marido em MT

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A dor da perda virou também revolta. As filhas da professora Luciene Naves, de 51 anos, assassinada pelo ex-marido Paulo Bispo, de 63 anos, afirmam que o botão do pânico foi acionado pelo menos duas vezes antes do crime — e que nenhuma medida efetiva foi tomada.

Luciene foi morta na segunda-feira (16) com dois tiros no tórax. Segundo a Polícia Militar, o suspeito pulou o muro da casa após desligar a energia elétrica do imóvel e a aguardou no portão. Após atirar contra a ex-companheira, ele ainda teria tentado perseguir as duas filhas.

Uma delas, que está grávida, conseguiu se trancar em um quarto. Em seguida, o homem saiu da residência e foi atrás da outra filha, momento em que moradores e um policial à paisana intervieram. O agente efetuou disparos contra ele.

Em entrevista à TV Centro América, Emilly Naves Correia Gonçalves relatou que esteve ao lado da mãe quando o botão do pânico foi acionado contra o próprio pai.

“A Justiça falhou. Nós confiamos no botão do pânico, que foi acionado duas vezes. O policial veio e não fez nada. Ele apenas conversou com minha mãe na calçada”, afirmou.

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Já a outra filha, Etieny Naves Correia de Almeida, declarou que houve falha na proteção judicial mesmo após a concessão de medida protetiva.

“A morte da minha mãe não começou no tiro que ela tomou. Começou quando ela pediu para que ele não chegasse mais perto dela e ninguém fez nada”, disse.

Segundo a Polícia Civil, o suspeito já vinha fazendo ameaças desde a separação, o que levou a professora a solicitar medidas protetivas. Ela tinha, inclusive, entrevista agendada na Defensoria Pública nesta quarta-feira (18) e audiência de conciliação marcada para o dia 23.

O g1 informou que procurou a Corregedoria da Justiça, a Secretaria Estadual de Justiça (Sejus) e a Polícia Civil, responsáveis pela gestão do botão do pânico, mas não houve retorno até a última atualização da reportagem.

A Prefeitura de Cuiabá lamentou a morte da professora, que lecionava na Escola Municipal Constança Palma Bem Bem, no bairro Jardim Fortaleza. Em nota, destacou que o ciclo de violência contra a mulher precisa ser combatido diariamente.

Como pedir ajuda

O aplicativo SOS Mulher MT é uma ferramenta criada para auxiliar vítimas de violência doméstica em Mato Grosso. Por meio dele, mulheres com medida protetiva podem acionar o botão do pânico caso o agressor descumpra a ordem judicial.

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Atualmente, o botão virtual está disponível em Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis. Nos demais municípios, a plataforma oferece acesso a orientações, delegacias especializadas, telefones de emergência e registro de ocorrência online.

O caso reacende o debate sobre a efetividade das medidas protetivas e a urgência na resposta do Estado diante de ameaças reiteradas contra mulheres.

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