CASO BEATRIZ
Beatriz foi encontrada enterrada 12 dias após o crime, e mensagens revelam plano macabro de casal
A investigação sobre a morte de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, revelou detalhes que podem ajudar a esclarecer um crime que chocou uma família em Minas Gerais. A jovem foi encontrada enterrada em uma área rural de Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, quase duas semanas após desaparecer. O caso é investigado como feminicídio, e a principal linha de apuração aponta para uma possível motivação passional.
O ex-namorado da vítima, de 18 anos, e a atual companheira dele, de 23, estão presos suspeitos de envolvimento no assassinato. Uma adolescente de 15 anos também é investigada e estava no veículo relacionado ao desaparecimento da jovem.
Em entrevista coletiva realizada na quinta-feira (22), a Polícia Civil de Minas Gerais apresentou informações sobre o andamento das investigações. Entre os elementos que chamaram a atenção dos investigadores estão mensagens encontradas nos celulares apreendidos, que indicariam que o casal planejava fazer uma tatuagem conjunta em referência à morte de Beatriz.
Apesar dos avanços, pontos importantes ainda precisam ser esclarecidos, como a causa exata da morte, a possibilidade de a vítima estar grávida e a participação individual de cada um dos investigados.
Corpo foi encontrado enterrado após quase duas semanas
Beatriz desapareceu no dia 9 de outubro, depois de sair com amigos em um bar de Jaboticatubas. Conforme as informações reunidas pela polícia, um veículo parou nas proximidades do estabelecimento, e a jovem se aproximou para conversar com os ocupantes.
Na ocasião, ela teria avisado aos amigos que retornaria em cinco a dez minutos. No entanto, não voltou ao local.
Preocupada com o desaparecimento, a mãe tentou entrar em contato com a filha por ligações e mensagens, mas não obteve resposta. Um boletim de ocorrência foi registrado, e a Polícia Civil iniciou as buscas e a investigação.
O caso teve um desfecho trágico em 21 de outubro, quando investigadores localizaram um corpo enterrado em uma área rural do município.
A identificação foi possível após uma perita observar uma tatuagem na perna da vítima. Uma fotografia da marca foi encaminhada ao irmão de Beatriz, que confirmou se tratar da jovem.
No mesmo dia, o ex-namorado e a atual companheira dele foram presos sob suspeita de participação no crime. Os celulares dos dois foram apreendidos para análise.
Polícia aponta possível motivação por ciúmes
De acordo com o delegado responsável pela investigação, uma das principais linhas de apuração indica que o assassinato pode ter sido motivado por ciúmes ou por desavenças entre Beatriz e a atual namorada do ex-companheiro.
A polícia também informou que o corpo foi encontrado com as mãos amarradas para trás e enterrado em uma cova. A existência de uma estrutura preparada previamente para ocultar o corpo é considerada um indício de possível premeditação.
Os investigadores trabalham para reconstruir a dinâmica do crime e determinar como cada suspeito teria participado do desaparecimento, do assassinato e da ocultação do corpo.
Outro elemento que passou a integrar a investigação são mensagens encontradas nos celulares dos dois adultos. Segundo as informações apresentadas pela Polícia Civil, o conteúdo indicaria que eles pretendiam fazer uma tatuagem conjunta em referência à morte da jovem.
A análise dos aparelhos deverá ajudar a esclarecer o contexto das conversas e a possível relação entre os investigados.
Ex-namorado admite que buscou a vítima, mas atribui crime à adolescente
Durante o depoimento, o ex-namorado admitiu que dirigia um Volkswagen Up branco e que buscou Beatriz no bar. No entanto, segundo a polícia, ele atribuiu à adolescente de 15 anos a responsabilidade pelo planejamento e pela execução do assassinato.
A versão apresentada pelo suspeito é contestada pelos investigadores, que consideram a possibilidade de participação dos três envolvidos.
A atual namorada dele optou por permanecer em silêncio durante o depoimento.
A adolescente, por sua vez, afirmou que estava no veículo, mas que permaneceu dentro do carro enquanto o casal saiu com Beatriz. Segundo a versão apresentada por ela, os dois retornaram sem a jovem.
A adolescente declarou que não presenciou o homicídio. Neste momento da investigação, ela é tratada como testemunha, mas sua versão ainda será confrontada com os demais elementos reunidos pela polícia.
O celular dela também foi apreendido, e os investigadores pretendem analisar o aparelho para verificar se existem informações que ajudem a esclarecer sua participação nos acontecimentos.
Perícia deve esclarecer como a jovem morreu
A causa exata da morte de Beatriz ainda depende dos exames periciais. Durante a coletiva, o delegado afirmou que os resultados poderão ajudar a determinar as circunstâncias do assassinato e verificar outras hipóteses investigadas.
Entre os pontos mencionados está a possibilidade de utilização de substâncias químicas, como soda cáustica. Até o momento, porém, não há confirmação pública de que esse tipo de substância tenha sido utilizado contra a vítima.
Os exames também deverão esclarecer se Beatriz estava grávida quando morreu.
A suspeita foi levantada por familiares. O irmão da jovem relatou que a possibilidade surgiu a partir de informações compartilhadas pela irmã mais nova e que outros integrantes da família também desconfiavam de uma possível gestação.
Apesar disso, os parentes ressaltaram que não há confirmação. Segundo o delegado, os exames do Instituto Médico Legal (IML) poderão esclarecer a questão.
Família cobra justiça após confirmação da morte
O desaparecimento e a posterior localização do corpo provocaram grande sofrimento entre os familiares de Beatriz.
O irmão da vítima, Maxwell Mota, relatou a angústia enfrentada pela família durante os dias de buscas e afirmou acompanhar de perto o trabalho dos investigadores.
Ele também disse ter recebido ameaças atribuídas ao pai de uma das suspeitas e afirmou que pretende divulgar áudios relacionados ao episódio.
Apesar da dor, Maxwell elogiou o trabalho da Polícia Civil e manifestou esperança de que as circunstâncias do crime sejam esclarecidas e os responsáveis sejam punidos.
“A gente quer justiça e esperamos justiça”, declarou.
Investigação continua
A Polícia Civil segue reunindo provas para esclarecer todos os detalhes do caso. A análise dos celulares, os resultados dos exames periciais e os depoimentos dos envolvidos devem ajudar a estabelecer a dinâmica do crime e a responsabilidade de cada investigado.
Até o momento, a principal linha de investigação aponta para um possível feminicídio motivado por ciúmes, mas as circunstâncias exatas da morte e a participação individual dos suspeitos ainda dependem da conclusão das diligências.
O caso segue sob investigação das autoridades mineiras.
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