POLÍCIA
Delator revela que ex-deputado de MT viajou para EUA com dinheiro de propina
No inquérito instaurado pela Polícia Federal (PF) para investigar o ex-deputado federal Nilson Leitão (PSDB) por suspeita de crimes eleitorais na eleição de 2014, consta que o tucano teria utilizado dinheiro de propina e caixa 2 para passear em Miami, nos Estados Unidos, e até comprar dólares. A investigação da Justiça Eleitoral é desdobramento da delação do ex-secretário de Educação, Permínio Pinto Filho, que foi preso em 20 de julho de 2016 na 2ª fase da Operação Rêmora, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco).
O ex-secretário confessou que integrou uma organização criminosa que fraudava licitações, orçadas inicialmente em R$ 56 milhões, da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) na gestão do ex-governador Pedro Taques, na época era do PSDB, e hoje sem partido. Permínio fez acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria Geral da República) e revelou que Leitão e Taques foram beneficiados na campanha de 2014 com doações de campanha não contabilizadas, configurando a prática de caixa 2.
A declaração de Permínio foi prestada no dia 23 de maio de 2017 na sede da Procuradoria da República, em Mato Grosso, acompanhado de seu advogado. O documento diz respeito ao anexo onde o ex-secretário detalha a relação mantida com Nilson Leitão.

Conforme Permínio Pinto, em 19 de maio 2014, a quantia de R$ 13,7 mil foi utilizada para aquisição de dólares perante o próprio Banco do Brasil a pedido de Nilson Leitão. Na época, ele exercia mandato de deputado federal, e estava prestes a viajar para os Estados Unidos.
De acordo com o delator, no dia seguinte, a quantia de R$ 4,6 mil foi utilizada para aquisição de dólar no Banco do Brasil, novamente, a pedido de Leitão. Permínio afirma que acompanhou Nilson Leitão e Gláucio (irmão de Leitão) na viagem até Miami nos Estados Unidos.
O delator deixa claro que a viagem tinha finalidade turística. “Que o declarante acompanhou Nilson Leitão e Glaucio (irmão de Nilson Leitão) na viagem até Miami nos Estados Unidos; Que a viagem tinha finalidade turística”, diz trecho da delação anexada no inquérito.
BLINDAGEM
Permínio Pinto foi indicado por Nilson Leitão para chefiar a Seduc-MT no início da gestão de Pedro Taques. O delator disse aos procuradores da República que, no contexto das operações Rêmora e Locus Delicti (2ª fase da Rêmora onde Permínio foi preso), Leitão teve participação ao atuar para “blindar e abafar qualquer fato criminoso” envolvendo a gestão de Pedro Taques.
Nas declarações ao procuradores, Permínio afirmou que atuou como operador financeiro de Leitão em seu primeiro mandato como deputado federal. Também atuou na campanha eleitoral como arrecadador de recuros para o deputado. De Mato Grosso, Leitão foi o mais votado naquele pleito, com 127.749 votos. Em 2018, o tucano disputou o Senado, mas foi derrotado na disputa ao ficar em 5º lugar com 330.430 votos.
TEXTO: Folha Max
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