POLÍCIA

“ELE ATIROU NA GENTE”: novos depoimentos revelam surto, ameaças e perseguição antes de delegado acabar baleado em Sorriso

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Novos documentos obtidos pelo Portal Terra MT Digital revelam detalhes inéditos da sequência de acontecimentos que antecedeu a troca de tiros envolvendo o delegado Bruno França Ferreira, em Sorriso.

Os depoimentos anexados ao procedimento da Corregedoria-Geral da Polícia Civil apontam que o delegado apresentava comportamento considerado “extremamente alterado” horas antes do confronto que terminou com ele baleado na mão e autuado em flagrante por tentativa de homicídio qualificado.

Segundo os relatos, colegas próximos já estavam preocupados com o estado emocional de Bruno desde semanas anteriores. Um dos policiais afirmou em depoimento que o delegado vinha enfrentando problemas pessoais e teria falado diversas vezes sobre tirar a própria vida.  

A situação teria piorado no dia da ocorrência, após a esposa do delegado procurar colegas da Polícia Civil relatando que Bruno estaria descontrolado, fazendo ameaças e apresentando comportamento agressivo.

Dois policiais decidiram então ir até a residência do delegado para tentar ajudá-lo.

Conforme os depoimentos, Bruno foi encontrado dormindo dentro da casa, mas acordou completamente transtornado. Segundo os relatos prestados à Corregedoria, ele passou a xingar os colegas, acusando um deles de estar colocando amigos “uns contra os outros”.

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Ainda conforme os autos, o delegado teria partido para agressões físicas com empurrões, tapas e chutes, obrigando os policiais a deixarem a residência.

Foi logo após esse momento que a situação saiu completamente do controle.

Segundo um dos depoimentos anexados ao processo, Bruno teria sacado uma arma e efetuado diversos disparos na direção dos próprios colegas.

“Ele atirou na gente”, relatou um dos policiais, conforme consta na transcrição obtida pela reportagem.

Após os tiros, Bruno passou a enviar mensagens consideradas perturbadoras em grupos internos da Polícia Civil. Nos textos, ele afirmava que mataria qualquer pessoa que fosse até sua casa e também avisava que iria atrás de um investigador para “resolver” a situação.

Os policiais então passaram a acreditar que o delegado poderia cometer um homicídio naquela madrugada.

Sabendo que Bruno estaria armado e a caminho, o investigador citado nos autos correu para casa e mandou a esposa e a filha se trancarem em um quarto.

Em depoimento, ele afirmou que decidiu permanecer do lado de fora da residência armado com uma pistola e uma espingarda calibre 12 porque acreditava que seria morto caso não reagisse.

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Minutos depois, o Volkswagen T-Cross conduzido por Bruno França chegou ao local.

Segundo o relato, o investigador afirmou que não esperaria o delegado descer do veículo armado.

Na sequência, houve intensa troca de tiros. O carro do delegado ficou completamente destruído pelos disparos de calibre 12 e pistola.

Mesmo ferido na mão esquerda, Bruno conseguiu dirigir até buscar atendimento médico.

A Polícia Militar encontrou um verdadeiro cenário de guerra na rua Pica-Pau, no bairro Parque das Araras. Cápsulas de munição ficaram espalhadas pela via e armas foram apreendidas pela Corregedoria, incluindo pistolas Glock, carregadores alongados e uma espingarda calibre 12 equipada com acessórios táticos.  

Bruno França segue internado sob escolta policial. Após receber alta médica, ele deverá ser submetido à audiência de custódia, quando a Justiça decidirá se ele responderá em liberdade ou se terá a prisão preventiva decretada.

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