CHOCANTE
“Ele me abraçou, pediu desculpa… e me esfaqueou”: o relato da criança que sobreviveu ao feminicídio em Lucas do Rio Verde
Filha de 7 anos descreveu à família os últimos minutos de vida da mãe, Gleici Keli, morta com 16 facadas pelo marido, o engenheiro Daniel Bennemann Frasson. A menina, que passou 22 dias na UTI, revive traumas profundos enquanto a Justiça analisa laudo que aponta inimputabilidade do agressor.
O relato que ninguém imaginava ouvir de uma criança
A menina de 7 anos, ferida com ao menos sete facadas no ataque que matou a mãe, Gleici Keli, em Lucas do Rio Verde, conseguiu dizer poucas palavras quando acordou após dias de sedação na UTI. Mas o que ela disse reconstituiu — com detalhes — a cena de terror vivida dentro do quarto da família.
Segundo a irmã mais velha, Caroline, que assumiu a guarda da criança após o crime, o momento mais difícil foi quando a pequena descreveu o que antecedeu as facadas:
“Ele me abraçou, pediu desculpa… depois me machucou.”
A frase, dita com voz fraca e medo, desmontou toda a família e se tornou peça central do trauma que a menina carrega desde então.
Na manhã do crime, a criança estava deitada ao lado da mãe quando o pai, o engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson, começou a desferir os golpes contra Gleici.
A vítima recebeu 16 facadas, sem qualquer chance de defesa.
A menina tentou se levantar, mas foi agarrada. O agressor então a abraçou, pediu desculpa e, na sequência, passou a esfaqueá-la também — primeiro pelas costas, depois no peito.
Depois de feri-las, Daniel ainda atingiu o próprio abdômen em tentativa de suicídio.
A criança lutou pela vida. Foi intubada, passou por cirurgias e permaneceu 22 dias na UTI, reaprendendo a comer, a andar e a movimentar parte do corpo.
Mesmo já em casa, as sequelas vão muito além das marcas físicas.
Hoje, segundo Caroline, a menina:
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tem medo de dormir sozinha
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tem medo de dormir antes da irmã, por achar que pode não acordar
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pede para guardar talheres antes de ir para a cama
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acorda assustada com movimentos bruscos
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toma medicação controlada
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passa por acompanhamento psicológico, psiquiátrico, cardiológico, neurológico e nefrológico
As consultas são frequentes. As crises de choro também.
“Ele não era doente quando fazia churrasco, ia viajar ou discutia com a minha mãe”
Nos relatos publicados pela irmã nas redes sociais, a criança não é a única a descrever lapsos de lucidez do agressor antes do crime.
Caroline lembra que Daniel:
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trabalhava normalmente
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tinha empresa aberta
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fazia planilhas para controlar os gastos da mãe
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dirigia
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cuidava de documentos
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fazia viagens e festas
“Para tudo isso, ele estava 100% lúcido. Doente só no dia em que assassinou minha mãe e tentou matar minha irmã?”, questiona.
O impacto psicológico: “Ela tem vergonha das cicatrizes”
Mesmo tão pequena, a menina carrega uma carga emocional que não deveria fazer parte da infância de ninguém.
Caroline relata que a irmã sente vergonha das cicatrizes e evita falar sobre o ataque com outras crianças.
Sente medo, insegurança, evita escuro e lugares fechados.
E pergunta constantemente: “Ele vai vir me machucar de novo?”
A casa da família teve que ser reorganizada. Portas trancadas. Talheres guardados. Rotinas alteradas.
Tudo para oferecer sensação de segurança à menina.
A noite que mudou tudo: “Eu perdi minha mãe e ganhei uma filha”
Caroline perdeu a mãe naquela madrugada e, ao mesmo tempo, assumiu o papel de mãe da irmã caçula.
Nos relatos, ela conta que:
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perdeu 10 kg nos meses seguintes
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perdeu emprego, casa e estabilidade
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enfrentou as dores da irmã e as próprias
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reorganizou a vida para cuidar da criança e de um cachorro que também ficou sob sua responsabilidade
Mesmo assim, ela afirma:
“Ainda não perdi a fé. Nem a esperança na Justiça.”
O que representa o laudo de insanidade para a criança?A família foi pega de surpresa com o laudo que classifica Daniel como inimputável por quadro depressivo — o que pode tirar o agressor da rota do Tribunal do Júri e levá-lo a medidas de segurança, em hospital psiquiátrico.
Para Caroline, o laudo é um golpe emocional não apenas para ela, mas principalmente para a irmã, que ainda luta para entender por que o pai tentou matá-la.
“Maldade, crueldade e egoísmo não são doenças. São escolhas”, diz.
Ela teme que a decisão seja vista pela menina como sinal de impunidade — e que a criança cresça acreditando que a Justiça não protegeu sua mãe nem a própria sobrevivente.
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