crueldade
Justiça manda fechar matadouro após cenário chocante com sangue, fezes e abate cruel em mt
A Justiça acolheu os pedidos do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e determinou, nesta terça-feira (31), a interdição imediata do Matadouro São Lourenço, localizado no município de Porto Alegre do Norte, a 1.219 km de Cuiabá. A decisão foi tomada após uma Ação Civil Pública revelar uma série de irregularidades sanitárias, ambientais e operacionais, além da omissão da prefeitura na fiscalização do local.
A investigação, conduzida pelo promotor de Justiça Brício Britzke, da 2ª Promotoria Cível da comarca, apontou um cenário considerado “alarmante”. Segundo o Ministério Público, o matadouro funcionava de forma precária e clandestina, sem oferecer qualquer garantia de segurança alimentar à população.
Um dos pontos mais graves identificados foi a prática de maus-tratos aos animais. De acordo com a ação, o estabelecimento utilizava marretas para o abate, método considerado cruel, arcaico e proibido pela legislação vigente, que exige técnicas humanitárias de insensibilização.
Relatórios técnicos do Indea, da Vigilância Sanitária e do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) reforçaram as denúncias. Durante vistoria realizada em março de 2026, fiscais encontraram um ambiente de completa degradação: o piso estava coberto por sangue, fezes e resíduos orgânicos, além de infiltrações estruturais e câmaras frias em condições precárias.
O Ministério Público também apontou a ausência de responsáveis técnicos, uso de equipamentos inadequados, falhas no transporte da carne e inexistência de controle sanitário eficiente fatores que colocavam em risco direto a saúde dos consumidores da região.
Ao analisar o pedido de urgência, a juíza substituta Ana Carolina Pelicioni da Silva Volkers destacou que a continuidade das atividades representava um risco real e imediato à saúde pública. Com isso, determinou a paralisação total das atividades no local, proibindo o abate, processamento e comercialização de produtos.
A decisão ainda autoriza a expedição de mandado de interdição com apoio da Vigilância Sanitária e, se necessário, uso de força policial para garantir o cumprimento. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 5 mil.
A reabertura do matadouro só poderá ocorrer mediante nova autorização judicial, desde que todas as irregularidades sejam corrigidas e o estabelecimento comprove adequação às normas sanitárias e ambientais.
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