MATO GROSSO
“Quebrado” movimenta R$ 600 mil em dois meses e vira alvo da Polícia Civil
Empresa com renda declarada modesta e sem histórico empresarial relevante teria sido usada para movimentar valores incompatíveis com a atividade declarada, segundo a Polícia Civil.
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2), a segunda fase da Operação Golden, com foco no núcleo financeiro de um grupo criminoso investigado por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de capitais.
Ao todo, são cumpridas 14 ordens judiciais, sendo cinco mandados de busca e apreensão domiciliar, oito bloqueios de contas bancárias e ativos financeiros no limite de R$ 283,5 mil, além de uma medida cautelar diversa da prisão.
As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias Polo de Cuiabá e são cumpridas em Várzea Grande, Pontes e Lacerda, Tangará da Serra e também em Itabela, na Bahia.
A operação é conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), com apoio da Delegacia Regional de Pontes e Lacerda, da Delegacia de Tangará da Serra e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), da Polícia Civil da Bahia.
Preso em SP está entre os alvos
Entre os investigados está um detento que já se encontra preso em São Paulo, por força de mandado de prisão expedido pela Justiça de Mato Grosso. Segundo a Polícia Civil, ele possui extensa ficha criminal no Estado, com passagens por tráfico de drogas, homicídio e outros crimes.
A segunda fase da Operação Golden tem como principal objetivo atacar a estrutura financeira que, conforme a investigação, sustentaria as atividades ilícitas do grupo.
Empresa teria movimentado R$ 600 mil em dois meses
As investigações apontam que uma empresa constituída em nome de um dos investigados teria movimentado mais de R$ 600 mil em apenas dois meses, mesmo sem apresentar capacidade econômica compatível para gerar esse volume de dinheiro.
De acordo com a Polícia Civil, a empresa não possuía histórico empresarial relevante e estava ligada a uma pessoa com renda declarada modesta. Para os investigadores, esses fatores levantaram fortes indícios de que o negócio poderia estar sendo usado para ocultar e movimentar dinheiro vindo do tráfico de drogas.
A investigação também identificou transferências financeiras entre pessoas apontadas como integrantes do grupo criminoso, incluindo suspeitos com antecedentes por tráfico e ligação com organizações criminosas.
Primeira fase já havia apreendido dinheiro e cheques
A primeira fase da Operação Golden foi deflagrada em 13 de março de 2025. Na ocasião, foram cumpridas 18 ordens judiciais, entre mandados de busca e apreensão, prisões preventivas e bloqueios patrimoniais.
As investigações começaram após a prisão em flagrante de um casal envolvido com o tráfico de drogas. Com o avanço das diligências, os policiais identificaram que o grupo usava contas bancárias de terceiros e um estabelecimento comercial para movimentar e esconder valores provenientes da venda de entorpecentes.
Durante os trabalhos anteriores, foram apreendidos mais de R$ 692 mil em dinheiro e R$ 222 mil em cheques, localizados durante buscas na cidade de Cáceres. Também houve bloqueio de valores em contas ligadas aos investigados.
Celulares, computadores e documentos são apreendidos
Durante o cumprimento dos mandados nesta quinta-feira, os policiais apreenderam celulares, computadores, documentos e outros materiais que serão analisados pela perícia. O objetivo é aprofundar o rastreamento financeiro e identificar possíveis novos envolvidos no esquema.
Segundo o delegado André Rigonato, responsável pelas investigações, as medidas patrimoniais têm como objetivo impedir que valores supostamente oriundos de crimes sejam ocultados ou dissipados, além de preservar provas e garantir eventual reparação de danos ao fim do processo.
As investigações continuam e podem resultar na identificação de novos alvos e na adoção de outras medidas judiciais.
A Operação Golden 2 integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026, dentro da Operação Pharus e do Programa Tolerância Zero, voltado ao combate às organizações criminosas em todo o Estado.
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