POLÍCIA
Réu que matou namorada em roleta-russa é condenado a 28 anos de prisão
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) condenou, nessa segunda-feira (25/10), Leonardo Pereira dos Santos (foto em destaque), 31 anos, a 28 anos de prisão pela morte de Gabrielly da Silva Miranda, 18, com um tiro na cabeça durante uma suposta roleta-russa, em Samambaia, em janeiro de 2020.
O motivo do crime seria o fato de Leonardo não aceitar o fim do relacionamento entre os dois.
O réu também foi condenado por posse ilegal de arma de fogo. Nesse caso, a pena é de 1 ano e 9 meses de detenção, em regime semiaberto, além de multa. No total, ele cumprirá quase 30 anos de reclusão.
Para a juíza Viviane Kazmierczak, ficou comprovado que Leonardo manipulou e agrediu fisicamente a vítima ao longo do relacionamento. A magistrada ainda destacou que o réu tem passagens por estelionato, tráfico de drogas, dano e homicídio.
“O histórico de violência doméstica, frieza, perversidade e desajuste psicológico está fartamente comprovado nos autos pelas testemunhas ouvidas, fotos e áudios juntados, todos a evidenciar violência física e psicológica extremada imposta pelo réu a uma vítima em especial situação de vulnerabilidade”, diz a sentença.
Roleta-russa
Ao ligar para o 190, na manhã do crime, Leonardo comunicou a morte de Gabrielly e citou o termo “roleta-russa” a fim de justificar como a namorada foi atingida pelo tiro. Na delegacia, ele negou essa versão.
Em depoimento, Leonardo afirmou apenas que Gabrielly deu a arma para ele. Mas o delegado adjunto da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia), Eduardo Escanhoela, confirmou que Leonardo teria confessado o crime.
“Segundo a versão dele, eles saíram para beber. Tomaram duas cervejas e voltaram para casa, na QR 425. Por lá, continuaram bebendo”, detalhou o policial.
“Gabrielly pegou a arma do Leonardo e começou a brincar, apontando para a perna (dele). Depois, ela entregou a arma para o namorado, e ele apontou para a cabeça (dela). E disparou, matando a jovem”, revelou o delegado.
Ainda segundo Eduardo Escanhoela, o autor iria se entregar após ter cometido o crime, mas voltou para casa e acionou o 190. “Leonardo contou ter ficado desesperado e pegou o carro para se entregar na delegacia. Entretanto, a gasolina do carro acabou”, acrescentou o investigador.
O detalhe, de acordo com o policial, é que o lugar onde o carro parou fica distante da delegacia, próximo a uma chácara. “Depois, ele voltou para casa a pé e chamou o 190”, finalizou.
Relação de medo
Um homem, que não quis se identificar, afirmou que a jovem tinha medo do parceiro. Entretanto, ela dizia amar Leonardo e que não queria terminar com ele.
“A Gabrielly era uma pessoa muito boa. Já morei com ela e sabia que o Leonardo era muito possessivo com ela. Não deixava ela ter amigos nem sair direito”, lembra o amigo.
“Em muitas oportunidades, ela chegava em casa com olho roxo, toda machucada. Ela me dizia que tinha medo dele, mas, mesmo assim, o amava e não terminaria com o Leonardo.”
Em alguns posts relacionados à violência, a jovem explicitou a situação em suas redes sociais.
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