Denúncia estarrecedora
Vídeo mostra jovem algemado sendo executado com dois tiros por policial militar no RS
Um vídeo estarrecedor enviado anonimamente ao Ministério Público do Rio Grande do Sul revelou a execução de Geovane Matias Maciel, de 19 anos, por um policial militar em Bom Jesus, na Serra Gaúcha. As imagens, que contradizem a versão oficial apresentada pela corporação, mostram o jovem sendo baleado na cabeça e, em seguida, no tórax, mesmo estando algemado com as mãos para trás.
O caso ocorreu em 4 de março deste ano e, inicialmente, foi registrado como “oposição à intervenção policial”. De acordo com o boletim de ocorrência da época, Geovane teria reagido à abordagem com uma faca, o que teria motivado os disparos por parte dos policiais.
No entanto, a situação mudou drasticamente no final de junho, quando o Ministério Público recebeu a gravação. No vídeo, é possível ver o jovem imobilizado, algemado, sendo atingido por um disparo quase à queima-roupa na cabeça. Já caído no chão, ele é alvejado novamente. A necropsia confirmou os tiros fatais na cabeça e no tórax, mas também revelou que Geovane já havia sido atingido por dois disparos no abdômen antes do início da gravação.
Com as novas evidências, a Polícia Civil instaurou um novo inquérito, agora conduzido pela Delegacia de Vacaria. Quatro policiais do 10º Batalhão da Brigada Militar foram afastados das funções: Emerson Brião — identificado como o autor dos tiros —, Bruno Moogen Souza Ramos, Geremias Pezzi Paim e André Remonti. Um pedido de prisão preventiva de Brião já foi encaminhado, mas ainda aguarda decisão judicial.
Segundo as investigações, Geovane era passageiro de um carro de aplicativo abordado durante uma blitz. Os policiais descobriram que havia um mandado de prisão contra ele por suspeita de incendiar a casa da ex-companheira. O jovem também tinha histórico de outros crimes, como furto, ameaça e até latrocínio, este cometido quando era menor de idade.
As defesas dos policiais alegam que o vídeo não mostra o contexto completo da ocorrência e que os três PMs que não efetuaram os disparos teriam sido surpreendidos pela ação do colega. Já a defesa de Emerson Brião afirmou que está colaborando com as investigações, mas que irá se manifestar apenas nos autos do processo.
A gravação, as armas utilizadas e os projéteis extraídos do corpo de Geovane estão sendo periciados. O novo inquérito tem prazo de 30 dias para ser concluído. A Justiça já foi informada sobre o andamento do caso, que tramita sob sigilo.
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