DENÚNCIA DE VIOLÊNCIA POLICIAL

Assessor parlamentar denuncia espancamento por seis policiais militares dentro de casa; PM apresenta outra versão

Publicado em

Homem de 53 anos afirma ter recebido coronhadas, chutes e ameaças de morte durante abordagem; Polícia Militar alega resistência e diz que instaurou procedimento para apurar o caso.

O assessor parlamentar Laender Luciano, de 53 anos, denunciou ter sido vítima de uma série de agressões praticadas, segundo ele, por seis policiais militares durante uma abordagem realizada dentro de sua residência, no bairro Nações Unidas, em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG). O episódio ocorreu nesta terça-feira (20) e foi relatado pelo assessor em entrevista à Itatiaia.

De acordo com Laender, a situação começou no fim da tarde, quando ele ouviu os cachorros latindo e decidiu verificar o que estava acontecendo. Ao olhar pela janela, percebeu a presença de seis policiais militares dentro do quintal de sua residência.

Ao questionar o motivo da entrada dos agentes na propriedade, o assessor afirma ter recebido inicialmente a informação de que dois suspeitos teriam pulado para dentro do imóvel. Pouco depois, segundo ele, os militares mudaram a justificativa e informaram que estavam no local para cumprir um mandado de prisão contra seu enteado, de 28 anos, que utilizava tornozeleira eletrônica em razão de uma denúncia de violência doméstica.

Laender contou que pediu para ver o mandado judicial e tentou entrar em contato com uma advogada. Foi nesse momento, conforme sua versão, que os policiais teriam entrado à força na residência e iniciado as agressões.

O assessor afirma ter recebido socos, chutes, coronhadas na cabeça e golpes na região da boca, costelas e pescoço. Segundo ele, a violência foi tão intensa que acabou caindo no chão, sem conseguir reagir.

Leia Também:  Jovem morre por complicações de cirurgia bariátrica em MT

Durante as agressões, os militares também teriam feito ameaças e debochado de sua tentativa de buscar assistência jurídica.

Em entrevista à Itatiaia, Laender relatou que um dos policiais chegou a apontar uma arma de fogo em sua direção e ameaçou matá-lo. Mesmo após pedir que as agressões parassem, ele afirma que continuou sendo atacado.

O assessor também denunciou que os policiais pegaram seu aparelho celular e o destruíram, supostamente para impedir que ele registrasse ou divulgasse imagens da abordagem nas redes sociais.

Em um vídeo encaminhado à Itatiaia, Laender aparece com ferimentos pelo corpo, mostra o celular danificado e apresenta panos que, segundo ele, teriam sido utilizados pelos militares durante as agressões.

Ainda conforme o relato, os agentes teriam colocado um pano ao redor de seu pescoço e apertado até que ele ficasse sem ar.

O enteado do assessor, que estaria dormindo em um dos quartos no momento da chegada dos policiais, acabou preso. Laender afirma que o jovem não foi agredido durante a ação.

Segundo o denunciante, a situação durou aproximadamente uma hora. Posteriormente, ele e o enteado foram colocados em uma viatura e encaminhados para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Na unidade de saúde, Laender precisou receber pontos na cabeça e no rosto. Ele também relatou fortes dores pelo corpo e suspeitas de fraturas na mandíbula e em uma costela.

Leia Também:  Menina de 9 anos revela abusos a professora e homem de 68 anos acaba preso suspeito de estupro

Após o atendimento médico, os dois foram conduzidos à delegacia. O assessor contou que, ao chegar à unidade policial, foi informado de que não estava preso. Antes de deixar o local, registrou um boletim de ocorrência denunciando as supostas agressões.

Laender afirmou não possuir antecedentes criminais e disse suspeitar que a violência possa ter alguma motivação política, hipótese que não foi comprovada. Ele declarou que pretende levar a denúncia adiante e cobrar a responsabilização dos envolvidos.

Procurada pela Itatiaia, a Polícia Militar de Minas Gerais apresentou uma versão diferente sobre o ocorrido.

Em nota, a corporação informou que equipes do Tático Móvel do 61º Batalhão realizavam patrulhamento em Sabará quando identificaram um homem de 28 anos com mandado de prisão em aberto.

Segundo a PM, o suspeito teria desobedecido à ordem de abordagem e entrado em uma residência. Durante a intervenção, um segundo homem, de 53 anos, teria tentado impedir a atuação dos militares e investido contra um dos policiais com socos e chutes.

A corporação afirma que, diante da resistência, os agentes utilizaram técnicas de contenção para realizar as prisões.

Ainda conforme a instituição, os dois envolvidos receberam atendimento médico antes de serem encaminhados à Polícia Civil para os procedimentos legais.

A Polícia Militar informou também que instaurou um procedimento apuratório para esclarecer as circunstâncias da ocorrência.

As versões apresentadas pelo assessor e pela corporação são divergentes. As circunstâncias da abordagem e as denúncias de agressão deverão ser analisadas pelas autoridades responsáveis pela investigação.

Anúncio [the_ad_group id="28079"]

MAIS LIDAS DA SEMANA