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Entregador perde parte do intestino após ser baleado por policial penal em Cuiabá

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O entregador Carlos Filipe, de 34 anos, perdeu parte do intestino, precisou passar por cirurgia e agora utiliza uma bolsa de colostomia após ser baleado por uma policial penal em Cuiabá. Segundo a Polícia Civil, ele deverá conviver com sequelas permanentes em decorrência dos ferimentos.

 

As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (6) pelo delegado Nilson Farias, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pelas investigações do caso.

 

De acordo com o delegado, a policial penal Jorcenilma França Viegas, de 46 anos, afirmou em depoimento que atirou contra a motocicleta do entregador para impedir que ele fugisse, e não com a intenção de atingi-lo.

 

No entanto, a versão apresentada pela investigada não convenceu a Polícia Civil. Para o delegado, não há elementos que comprovem a alegação de legítima defesa, motivo pelo qual foi solicitada e decretada a prisão preventiva da policial.

 

“A única explicação apresentada por ela é que queria impedir a fuga do motociclista, atirando na motocicleta. Mas, para a investigação, a legítima defesa não está clara”, afirmou Nilson Farias.

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Segundo a perícia, foram efetuados pelo menos quatro disparos, dos quais dois ou mais atingiram a vítima. Carlos foi baleado na perna direita e nas costas. Um dos projéteis atravessou o abdômen, provocando graves lesões no intestino, enquanto outro atingiu a região do tórax.

 

Após o crime, o entregador foi socorrido pelo Samu e encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá, onde passou por cirurgia de emergência. Em razão da gravidade dos ferimentos, perdeu parte do intestino e precisou receber uma bolsa de colostomia. A expectativa da equipe médica é de que ele carregue sequelas pelo resto da vida.

 

A investigação entrou na fase final. Como a policial está presa preventivamente, a DHPP tem prazo de dez dias para concluir o inquérito.

Entenda o caso

O episódio ocorreu na noite de 22 de julho, no bairro CPA IV, em Cuiabá.

Segundo o boletim de ocorrência registrado no dia dos fatos, a família da policial alegou que o entregador teria localizado um celular perdido e estaria exigindo dinheiro para devolvê-lo. Na ocasião, a policial afirmou que o motociclista tentou tomar sua arma durante a abordagem, versão que embasou inicialmente a ocorrência.

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Entretanto, imagens de câmeras de segurança e o avanço das investigações passaram a contradizer essa narrativa, levando à prisão preventiva da investigada.

 

A Polícia Civil também informou que a motocicleta utilizada por Carlos Filipe foi apreendida após a constatação de uma adulteração na placa. Além disso, a versão de que o entregador teria mencionado ligação com uma organização criminosa durante a negociação do celular ainda será apurada e, até o momento, não foi confirmada pela investigação.

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