SINDICÂNCIA DEMISSÓRIA

Soldado denuncia humilhação, castigos e perseguição dentro dos Bombeiros de MT

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Militar afirma que foi obrigado a usar insígnias de papelão e cabo de vassoura durante formação; após denunciar o caso, passou a responder a sindicância que pode resultar em demissão

Um soldado do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso denunciou à Polícia Civil uma série de supostas humilhações, perseguições e episódios de assédio moral durante um curso de formação em Cuiabá. Segundo o militar, após reclamar das situações, ele teria sofrido retaliações dentro da própria corporação e atualmente responde a uma Sindicância Demissória.

O caso foi registrado em boletim de ocorrência no mês passado.

De acordo com o relato, um dos episódios ocorreu durante uma solenidade matinal na ESFAPE Bravo 3, no Distrito Industrial. Antes do hasteamento da bandeira, o soldado afirma que foi obrigado a se apresentar como “Primeiro Tenente”, utilizando insígnias confeccionadas com papelão e grampeadas nos ombros.

Ele também teria sido obrigado a portar um cabo de vassoura como se fosse um símbolo do posto militar.

A situação teria sido registrada em fotografias e vídeos, que posteriormente circularam em grupos de WhatsApp, inclusive em grupos utilizados por integrantes da corporação.

Flexões e novas humilhações

Segundo a denúncia, após questionar a situação junto à coordenação, o soldado teria passado a sofrer novas exposições e punições.

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Em uma delas, afirma ter sido obrigado a realizar flexões enquanto outras pessoas presentes riam da situação.

O militar também relata ter sido alvo de xingamentos, castigos físicos, perseguição e assédio moral.

Após tentar denunciar novamente os episódios, ele afirma que acabou excluído do curso, transferido e retirado dos grupos oficiais de comunicação.

Na versão apresentada pelo soldado, essas medidas teriam ocorrido como forma de retaliação pelas denúncias feitas contra integrantes da corporação.

Soldado relata caminhada diária de 14 quilômetros

 

Em manifestação encaminhada à Corregedoria-Geral do Corpo de Bombeiros, o militar sustentou que mantinha frequência regular nas atividades do curso.

Segundo ele, deixou de comparecer às aulas apenas depois de receber determinação para permanecer à disposição da Diretoria de Ensino e Instrução (DEIP).

A partir dessa determinação, afirma que passou a ser colocado em serviços braçais e submetido a uma caminhada diária de aproximadamente 14 quilômetros até outro batalhão.

O soldado diz ainda que registrou as atividades realizadas no sistema Sigadoc, mas posteriormente teria sido direcionado ao BM-10 para executar trabalhos repetitivos, permanecendo a exigência de realizar o mesmo deslocamento.

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Ele sustenta que eventuais problemas envolvendo carga horária e transferência decorreram de questões administrativas e não poderiam ser atribuídos a ele.

Sindicância pode resultar em demissão

Após os episódios, o soldado passou a responder a uma Sindicância Demissória, procedimento que pode resultar em seu desligamento da corporação.

O militar contesta a condução da apuração e afirma que pessoas apontadas por ele como envolvidas nas supostas agressões e humilhações teriam participado do procedimento.

Ele sustenta ainda que foi retirado das aulas e dos grupos oficiais sem direito de defesa e considera a sindicância uma possível retaliação pelas denúncias realizadas.

A oitiva do militar, inicialmente marcada para 25 de agosto, foi redesignada para esta quinta-feira (27), às 9h, no Comando-Geral do Corpo de Bombeiros, em Cuiabá.

Outro lado

Procurada, a assessoria do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso solicitou os dados pessoais do soldado para se manifestar sobre o episódio.

A reportagem responsável pela denúncia informou que não forneceu as informações, alegando a proteção constitucional ao sigilo da fonte.

Até a publicação da matéria original, a corporação não havia apresentado posicionamento sobre as acusações. O espaço permanece aberto para manifestação.

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