MATO GROSSO

Empresário, trader e coach: saiba quem é o empresário acusado de vigiar delegado e intimidar familiares em Cuiabá

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Empresário de 41 anos se apresentava como investidor, trader, palestrante e profissional de marketing; ele é réu por suposta organização criminosa e lavagem de dinheiro e nega ter ameaçado autoridades.

O empresário Maike Koseki de Capua, de 41 anos, passou a ocupar o centro de uma das investigações de maior repercussão dos últimos dias em Mato Grosso. Conhecido nas redes sociais por divulgar negócios, investimentos, criptomoedas e viagens internacionais, ele agora é procurado pela Polícia Civil e possui um mandado de prisão preventiva em aberto.

Maike foi alvo da Operação Autoritas, deflagrada no dia 14 de julho, em Cuiabá, pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco). A ação cumpriu dois mandados de busca e apreensão e tentou executar a prisão preventiva determinada pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá. O empresário não foi encontrado e passou a ser considerado foragido.

Quem é Maike Koseki

Maike atua como empresário em Cuiabá e, nas redes sociais, apresentava-se como palestrante, coach, trader, investidor em criptomoedas e profissional dos setores de marketing, negócios digitais e mercado financeiro. Em julho de 2026, o perfil atribuído a ele tinha aproximadamente 19,8 mil seguidores.

Publicações atribuídas ao empresário mostravam viagens internacionais, principalmente para países europeus, além de carros, negócios e uma rotina de alto padrão. Conforme informações divulgadas durante a investigação, ele morava em um condomínio de luxo na capital mato-grossense.

Registros empresariais públicos apontam que Maike é responsável pela empresa individual M. Koseki de Capua, de nome fantasia MK Representações, aberta em novembro de 2009. A microempresa permanece cadastrada como ativa e tem como atividade principal o comércio varejista de materiais de construção.

O empresário também possui formação superior em Gestão Financeira, concluída em 2012 nas Faculdades Integradas Mato-Grossenses de Ciências Sociais e Humanas, segundo informações extraídas de currículo acadêmico público.

Operação Integrate

Antes de se tornar alvo da Operação Autoritas, Maike já havia virado réu em uma ação penal ligada à Operação Integrate, que apura supostos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

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Segundo informações do processo divulgadas pela imprensa, medidas judiciais provocaram o bloqueio de bens do empresário. Depois disso, uma nova investigação foi aberta para apurar supostas ameaças contra o delegado responsável pelo inquérito e a esposa do policial.

A Polícia Civil afirma que Maike teria começado a buscar informações sobre a vida pessoal da autoridade, procurando amigos em comum, endereços, locais de trabalho, a escola frequentada pelo filho e detalhes da rotina de outros familiares.

Para os investigadores, o objetivo seria intimidar o delegado e interferir no andamento da ação penal. O monitoramento teria alcançado a esposa, o filho e outros parentes da autoridade, inclusive menores de idade.

Operação Autoritas

Diante das informações reunidas, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva do empresário. O pedido foi aceito pela Justiça e resultou na Operação Autoritas.

O nome da operação faz referência à autoridade legítima do Estado e à proteção dos agentes públicos durante o exercício das funções. Maike é investigado nessa nova apuração por coação no curso do processo e ameaça.

Durante as diligências, equipes policiais estiveram nos endereços ligados ao investigado, mas ele não foi encontrado. A Polícia Civil chegou a divulgar uma imagem de Maike como procurado e pediu que informações sobre o paradeiro fossem encaminhadas às autoridades.

Justiça mantém prisão

A defesa tentou derrubar a prisão preventiva por meio de habeas corpus, mas o pedido foi negado pela desembargadora Juanita Cruz da Silva Clait Duarte, da Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Na decisão, a magistrada considerou que havia elementos indicando que o empresário teria procurado informações sobre o endereço, a rotina e a família do delegado. A desembargadora também citou o fato de Maike não ter sido encontrado nos locais conhecidos como um possível sinal de tentativa de evasão.

Empresária de Goiânia faz nova denúncia

Enquanto Maike continuava foragido, uma empresária de Goiânia registrou um boletim de ocorrência acusando-o de ameaças e coação relacionadas a uma dívida de aproximadamente R$ 3,5 milhões, atribuída ao ex-marido dela.

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Conforme o relato, Maike e outros homens teriam abordado o pai idoso e a filha de 9 anos da empresária em uma academia de artes marciais. O grupo teria se apresentado como formado por policiais e levado os dois até o condomínio onde a mulher morava.

A empresária afirma que foi pressionada a assumir a dívida do ex-marido e a assinar documentos para transferir bens. Ela também relatou ameaças de morte e disse que deixou a residência com a filha e os pais em busca de um local seguro.

Após o episódio, a denunciante encaminhou uma carta à desembargadora responsável pelo habeas corpus de Maike, pedindo que a prisão fosse mantida. Os fatos narrados pela mulher ainda dependem de investigação e não representam uma condenação.

O que diz a defesa

A defesa de Maike nega que ele tenha ameaçado ou perseguido o delegado. Os advogados sustentam que declarações atribuídas ao empresário seriam apenas manifestações de indignação e afirmam que não houve monitoramento ilegal.

Segundo o advogado Lucas André Figueiredo, Maike não pretende fugir do país e deverá apresentar-se à Justiça após a adoção de medidas para garantir sua segurança. A defesa declarou que pretende contestar a prisão e demonstrar a inocência do empresário durante o processo.

Sobre a acusação feita pela empresária de Goiânia, o advogado afirmou inicialmente que não tinha conhecimento formal do boletim de ocorrência e que buscaria informações para exercer o contraditório. A defesa também contestou a versão apresentada e disse que o episódio envolve pessoas já conhecidas pelas autoridades e pela imprensa.

Situação atual

Até a tarde desta segunda-feira, 20 de julho de 2026, Maike Koseki de Capua ainda era considerado foragido e não havia se apresentado à Justiça. O mandado de prisão preventiva permanecia em aberto, e as forças de segurança continuavam realizando diligências para encontrá-lo.

As acusações contra o empresário ainda serão analisadas pelo Poder Judiciário. Apesar de ser réu e alvo de investigações, Maike não possui condenação definitiva nos casos citados e tem direito à ampla defesa e à presunção de inocência.

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