Cara de pau

Justiça mantém preso homem acusado de atropelar namorada várias vezes; defesa alegou ‘falha’ no pedal em MT

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A Justiça de Mato Grosso manteve a prisão preventiva de Paulo Cesar Santos Vilela, de 33 anos, investigado por feminicídio qualificado após a morte da namorada, Simone da Silva Matiuzi, em Vila Bela da Santíssima Trindade, a 562 quilômetros de Cuiabá.

A decisão foi publicada nesta terça-feira (1º). A Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) negou, por unanimidade, um habeas corpus apresentado pela defesa. O julgamento ocorreu no dia 25 de agosto e teve como relator o juiz convocado Francisco Alexandre Ferreira Mendes Neto.

Segundo a investigação, Paulo teria utilizado o próprio veículo para atropelar Simone repetidas vezes. Um macaco automotivo também foi encontrado nas proximidades e, conforme consta na decisão, há suspeita de que o objeto possa ter sido usado para atingir a vítima.

A defesa alegou que não estavam presentes os requisitos necessários para manutenção da prisão preventiva e pediu a substituição por medidas cautelares. Também sustentou que a morte teria sido acidental e afirmou que o calçado de Paulo teria escorregado no pedal da embreagem do veículo.

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O argumento, porém, não convenceu os magistrados. Para o TJMT, há elementos concretos que justificam a prisão, entre eles a forma violenta como o crime teria sido cometido, o histórico criminal do investigado e o fato de ele ter deixado a região após o ocorrido.

Segundo o acórdão, as circunstâncias indicam um modo de execução de “excepcional violência”.

Outro ponto considerado pelo tribunal foi uma condenação anterior de Paulo por homicídio. O crime ocorreu em fevereiro de 2016, em Pontes e Lacerda. A vítima, Gilson de Souza Nascimento, foi morta a tiros. Paulo foi condenado pelo Tribunal do Júri, em 2017, a cinco anos de prisão por homicídio simples.

Mulher teria sido atropelada várias vezes

Simone morreu após ser atropelada no dia 12 de março deste ano. Segundo informações da Polícia Militar, ela foi encontrada gravemente ferida e desacordada após ter sido atingida várias vezes. Ela chegou a ser levada para atendimento médico, mas morreu no hospital.

Uma testemunha relatou que estava com o casal e duas filhas menores durante uma confraternização em um sítio. No trajeto de volta, Simone e Paulo teriam começado a discutir dentro do veículo.

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A testemunha pediu para descer do carro e seguiu a pé com as crianças em direção a uma propriedade próxima. Ela afirmou que não presenciou as agressões.

Pouco depois, Paulo teria ido atrás dela e pedido que retornasse ao veículo. A mulher procurou ajuda em uma propriedade vizinha, conseguiu acesso à internet e acionou socorro.

Conforme informações divulgadas na época pelo delegado regional João Paulo Berté, Paulo foi posteriormente localizado e preso pela Polícia Civil. Aos investigadores, ele alegou que o atropelamento teria ocorrido sem intenção.

O TJMT também considerou que o investigado deixou o local sem prestar assistência e foi encontrado posteriormente em outro veículo, com destino a Pontes e Lacerda.

Diante do conjunto de elementos, os magistrados entenderam que medidas cautelares alternativas seriam insuficientes e decidiram manter a prisão preventiva.

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