MATO GROSSO

Laudo aponta psicose e risco de suicídio em mulher acusada de matar adolescente e retirar bebê em MT

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Um laudo psiquiátrico e psicológico apontou que Nataly Helena Martins Pereira, presa pelo assassinato da adolescente Emelly Azevedo Sena, de 16 anos, apresentava sintomas psicóticos graves no período relacionado ao crime. O documento foi divulgado na íntegra nesta quinta-feira (26) e já foi anexado ao processo que tramita na Justiça.

De acordo com o parecer técnico, a acusada apresentava alucinações auditivas, ideação suicida, delírios e perda de contato com a realidade. O laudo foi elaborado por uma equipe multidisciplinar contratada pela defesa, com o objetivo de avaliar a capacidade mental da investigada no momento dos fatos e a possibilidade de instauração de incidente de insanidade mental.

Nataly responde pelos crimes de homicídio qualificado, parto suposto e ocultação de cadáver. Segundo a defesa, o documento reforça a necessidade de uma avaliação médica oficial por parte do Judiciário para analisar a imputabilidade penal da acusada.

Conforme o relatório, a mulher relatou ter sofrido um aborto espontâneo por volta de 32 semanas de gestação, em fevereiro de 2025, episódio que teria desencadeado um quadro de sofrimento emocional intenso. Após o ocorrido, ela passou a apresentar sintomas compatíveis com depressão grave e possível estado puerperal complicado, incluindo pensamentos recorrentes de morte e relatos de que ouvia vozes.

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O documento também aponta episódios de automutilação, além de persistência de produção de leite mesmo após a perda gestacional, o que teria agravado o sofrimento psicológico relacionado à maternidade.

Os especialistas destacaram que os sinais de psicose incluem desorganização do pensamento, delírios e ideias de cunho religioso e messiânico, indicando perda parcial ou total da realidade. Ainda segundo o laudo, há incompatibilidade entre a trajetória de vida da acusada e o perfil do crime, o que reforça a necessidade de investigação mais aprofundada sobre seu estado mental à época dos fatos.

Registros médicos analisados indicam que, durante o período em que esteve presa, a mulher apresentou comportamento confuso, ansiedade, insônia e medo constante. Também foram relatados uso de substâncias como álcool, maconha e cocaína antes da prisão.

O histórico familiar aponta ainda episódios traumáticos, incluindo relato de abuso sexual na adolescência, além de relacionamentos conturbados e agravamento progressivo do quadro psicológico ao longo dos anos.

O parecer conclui que o ambiente prisional aumenta o risco de suicídio da acusada, considerada altamente vulnerável, e recomenda acompanhamento especializado, além da análise judicial sobre eventual inimputabilidade.

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O caso ocorreu em março de 2025. A vítima, uma adolescente de 16 anos, saiu de casa em Várzea Grande informando que iria até Cuiabá buscar doações de roupas. No mesmo dia, uma mulher deu entrada em uma unidade de saúde com um recém-nascido, alegando ser a mãe da criança.

Exames médicos constataram que ela não havia passado por parto recente, o que levantou suspeitas. No dia seguinte, o corpo da adolescente foi encontrado enterrado, e a investigação apontou que a vítima foi morta e teve o bebê retirado do ventre. A acusada foi presa em flagrante e o caso segue em andamento na Justiça.

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