MATO GROSSO

PF mira Mauro Mendes, desembargadores e parlamentar em operação sobre R$ 308 milhões da Oi

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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (6), a Operação Heritage, que investiga um suposto esquema envolvendo o desvio de mais de R$ 308 milhões pagos pelo Governo de Mato Grosso em um acordo judicial relacionado à empresa de telefonia Oi.

O ex-governador Mauro Mendes, atualmente candidato ao Senado pelo União Brasil, estaria entre os alvos da operação. Segundo informações divulgadas pelo Folhamax, agentes federais cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência do político, localizada no condomínio Alphaville 1, em Cuiabá.

Ainda conforme o portal, Mauro Mendes teve o passaporte recolhido e ficou proibido de deixar o país. A Polícia Federal confirmou oficialmente a apreensão de passaportes durante a operação, mas não divulgou os nomes das pessoas atingidas pelas medidas por causa do sigilo da investigação.

Dois desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e um parlamentar também estariam entre os investigados. Mandados foram cumpridos na Procuradoria-Geral do Estado e em um escritório de advocacia localizado no Edifício Maruanã, na Avenida Historiador Rubens de Mendonça, conhecida como Avenida do CPA.

Ao todo, foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal 25 mandados de busca e apreensão para cumprimento em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. A operação investiga possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro e uso indevido de informação privilegiada. As informações foram confirmadas oficialmente pela Polícia Federal.

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Além das buscas, a Justiça autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, a indisponibilidade de bens de até aproximadamente R$ 316 milhões, o recolhimento de passaportes e a proibição de contato entre os alvos.

Entenda o acordo com a Oi

A investigação está relacionada a um acordo firmado em abril de 2024 para devolver à Oi valores decorrentes de uma antiga disputa tributária com o Estado de Mato Grosso.

O caso teve origem em uma cobrança de ICMS iniciada em 2009. Após decisões judiciais posteriores, a empresa passou a reivindicar a restituição dos valores. Como estava em recuperação judicial, a Oi cedeu os créditos a fundos de investimentos.

O Governo de Mato Grosso pagou aproximadamente R$ 308 milhões. Metade do dinheiro teria sido destinada ao fundo Lotte Word e a outra metade ao Royal Capital. Reportagens anteriores apontaram que os fundos haviam sido constituídos pouco tempo antes da celebração do acordo e possuíam relações com estruturas financeiras ligadas ao Banco Master. O caminho do dinheiro já vinha sendo questionado desde o início de 2026.

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Segundo a Polícia Federal, há indícios de que a operação financeira tenha sido utilizada para desviar recursos públicos por meio de fundos de investimento em cascata e empresas interpostas, dificultando a identificação da origem, movimentação e destinação final do dinheiro.

Governo defendia legalidade

Antes da operação, Mauro Mendes e a Procuradoria-Geral do Estado já haviam negado irregularidades. A versão apresentada era de que o acordo foi homologado pela Justiça, reduziu uma dívida muito maior e gerou economia aos cofres estaduais.

Em março, o procurador-geral do Estado afirmou que os pagamentos foram realizados aos detentores legais dos créditos e que a negociação seguiu os procedimentos previstos. A PGE sustentava que o acordo era legal e vantajoso para Mato Grosso.

Até a última atualização, Mauro Mendes, os desembargadores citados e os demais investigados não haviam apresentado manifestação pública específica sobre a Operação Heritage. As buscas não representam condenação, e a responsabilidade individual de cada alvo ainda será apurada durante as investigações.

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