Relatório da Polícia Federal reúne registros de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro e elementos relacionados ao ministro do Supremo
STF decide hoje se abre investigação contra Moraes por suposta relação com Daniel Vorcaro
O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta terça-feira (15) uma sessão extraordinária para decidir os rumos das apurações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
A sessão está prevista para começar às 10h. Entre os pontos que serão analisados está o destino das informações reunidas pela Polícia Federal a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro.
Antes de uma eventual investigação sobre a conduta de Moraes avançar, os ministros deverão enfrentar questões preliminares envolvendo a validade das medidas que deram origem ao relatório policial e a possibilidade de utilização dos elementos obtidos.
A análise funciona como uma etapa decisiva para definir o futuro do caso. Caso o Supremo entenda que houve alguma irregularidade capaz de invalidar o procedimento, a apuração poderá não avançar. Se os elementos forem considerados válidos, a Corte poderá discutir quais providências deverão ser tomadas em relação às informações envolvendo Moraes.
O QUE A PF ENCONTROU
O relatório produzido pela Polícia Federal aponta a existência de registros de comunicações atribuídas a Daniel Vorcaro e destinadas a um contato identificado no aparelho do empresário como relacionado a Alexandre de Moraes.
Segundo as informações da investigação, Vorcaro utilizaria uma forma específica para enviar parte das mensagens. Ele escrevia textos no aplicativo de notas do celular, fazia capturas de tela e posteriormente encaminhava as imagens pelo WhatsApp utilizando o recurso de visualização única.
Os investigadores identificaram 52 registros que teriam seguido esse padrão.
De acordo com o material periciado, o número que recebia as mensagens estava salvo na agenda de Vorcaro como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
A perícia também apontou que o contato atribuído ao ministro teria ativado, em setembro de 2025, a função de mensagens temporárias do WhatsApp, programada para apagar automaticamente o conteúdo após 24 horas.
Mesmo assim, investigadores conseguiram recuperar elementos armazenados no aparelho de Vorcaro, como notas, capturas de tela, horários e arquivos temporários relacionados às comunicações.
MENSAGENS CITAM PEDIDOS DE AJUDA

Entre os registros encontrados estão textos nos quais Vorcaro demonstraria preocupação com possíveis medidas da Polícia Federal, do Ministério Público e do Banco Central envolvendo ele e o Banco Master.
Em uma mensagem atribuída ao empresário, de outubro de 2025, Vorcaro teria mencionado pressões contra ele e pedido reforço de atuação junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Em outro registro, de novembro daquele ano, o empresário teria perguntado sobre a possibilidade de reverter medidas e questionado se deveria deixar o Brasil.
A existência desses registros é um dos elementos que levaram o caso ao centro da discussão no Supremo.
STF ANALISA VALIDADE DAS PROVAS
O plenário também deverá discutir a regularidade da medida que permitiu aprofundar a análise dos dados extraídos do celular de Vorcaro.
A Procuradoria-Geral da República questionou procedimentos adotados na obtenção dessas informações e pediu a anulação de decisão que determinou a identificação de interlocutores do ex-banqueiro.
Dessa forma, o julgamento desta terça-feira não representa uma decisão sobre eventual culpa ou inocência de Alexandre de Moraes. O Supremo deverá definir inicialmente a validade dos procedimentos e qual destino será dado às informações reunidas pela Polícia Federal.
O ministro Edson Fachin, presidente do STF, conduz a sessão. Após a abertura dos trabalhos, André Mendonça deverá apresentar o relatório do caso. Em seguida, a Procuradoria-Geral da República terá a palavra antes do início da votação.
A participação de Alexandre de Moraes na sessão ainda não havia sido confirmada oficialmente pelo Supremo. A presença de Dias Toffoli também permanecia indefinida devido ao impedimento anteriormente declarado pelo ministro em processos relacionados ao Banco Master.
A sessão será pública e terá transmissão ao vivo pela TV Justiça e pela internet.
A pauta oficial do STF confirma o julgamento para 15 de setembro, e o rito divulgado pela Corte prevê relatório, manifestação da PGR e, depois, a votação dos ministros. (Supremo Tribunal Federal)
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