SAÚDE

Estudo alerta para riscos cardíacos em atletas de fisiculturismo

Publicado em

A morte precoce do influenciador fitness e atleta Gabriel Ganley, de 22 anos, reacendeu o debate sobre os impactos da alta performance física extrema na saúde cardiovascular. A causa oficial da morte ainda é investigada, mas o caso trouxe à tona preocupações sobre os limites do corpo humano no fisiculturismo profissional.

Em artigo publicado nesta semana, o cardiologista Max Wagner de Lima destacou dados de um estudo da European Society of Cardiology que analisou mais de 20 mil atletas masculinos do fisiculturismo competitivo entre 2005 e 2020.

Segundo o levantamento, os pesquisadores acompanharam 20.286 atletas ao longo de mais de 190 mil anos de observação esportiva. Durante o período, foram registrados 121 óbitos, sendo 73 mortes súbitas e 46 mortes cardíacas súbitas confirmadas.

O estudo apontou que atletas profissionais apresentaram risco mais de cinco vezes maior de morte cardíaca súbita em comparação aos fisiculturistas amadores.

De acordo com o cardiologista, muitos dos atletas que morreram apresentavam alterações cardíacas importantes, como hipertrofia exagerada do coração, fibrose cardíaca, cardiomegalia e outras mudanças estruturais associadas a arritmias graves.

Leia Também:  Vídeo aterrorizante: Idosa tira máscara e espalha saliva em ônibus

 

“Musculatura desenvolvida não significa automaticamente coração saudável, metabolismo saudável ou longevidade”, destacou o médico.

O artigo também chama atenção para possíveis riscos relacionados ao uso abusivo de esteroides anabolizantes, diuréticos, desidratação extrema e estratégias agressivas de definição corporal.

Segundo especialistas, essas práticas podem favorecer hipertensão, arritmias, insuficiência cardíaca, aumento anormal do músculo cardíaco e até morte súbita.

Apesar dos alertas, o médico reforça que a musculação orientada continua sendo uma importante ferramenta para promoção da saúde, ajudando no metabolismo, na prevenção de doenças cardiovasculares e no envelhecimento saudável.

“O problema começa quando o corpo deixa de ser treinado para saúde e passa a ser levado a extremos biológicos contínuos”, afirmou.

O estudo europeu também defende maior controle antidoping, avaliações cardiovasculares periódicas e acompanhamento preventivo dentro do fisiculturismo profissional.

Para o cardiologista, o foco da medicina esportiva moderna deve ser a busca pela “performance sustentável”, conciliando desempenho físico e preservação da saúde a longo prazo.

Anúncio [the_ad_group id="28079"]

MAIS LIDAS DA SEMANA